BORBOLETA DA PRAIA

BORBOLETA-DA-PRAIA

 

A borboleta-da-praia (Parides ascanius), inseto pertencente à ordem dos lepidópteros, é de cor negra com detalhes brancos e rosa em suas asas. Medindo aproximadamente 10 centímetros de envergadura, ela voa graciosamente pela manhã e à tarde sobre os arbustos, em busca do néctar de diversas flores, tais como as do cambará, árvore de porte médio, e do gervão, que pode atingir até 80 centímetros de altura.

 

A borboleta-da-praia é encontrada com relativa facilidade no litoral do estado do Rio de Janeiro, entre a praia de Atafona, no município de Campos, região norte fluminense, e as de Mangaratiba, na baía de Angra dos Reis, região sul fluminense. Como já há alguns anos essa estreita faixa de terras à beira-mar vem sendo alvo de intensa especulação imobiliária, o que acarreta a drenagem das áreas de restinga pantanosa que servem como habitat para esses belos insetos, a conseqüência imediata é a ameaça crescente de extinção da espécie.

 

Uma das esperanças de que isso não aconteça é a Reserva Biológica de Poço das Antas, com 5 mil hectares, localizada entre os municípios de Silva Jardim e Casimiro de Abreu, uma unidade federal de conservação da natureza destinada ao projeto de preservação da Mata Atlântica e do mico-leão dourado. Outra, o Parque Municipal de Marapendi no Recreio dos Bandeirantes, Rio de Janeiro, uma área de 194,80 hectares que resguarda a paisagem dos ecossistemas de restinga e manguezal e permite ao visitante entrar em contato com espécies da fauna e flora típicas da região.

 

As  fêmeas dessa borboleta podem viver até três semanas. Para se reproduzirem elas põem seus ovos às vezes sob a folha da Aristolochia cymbifera, planta rasteira conhecida popularmente como jarrinha, jarro-do-diabo, cipó-mata-cobras, cipó-mil-homens, touca-do-diabo, capa-homem e outros nomes, ou então perto da mesma, em galhos secos ou outros suportes.

 

Eles são parasitados por pequenas vespas, o que limita a população do inseto e mantém, mais adiante, o equilíbrio necessário entre a lagarta de pouco mais de meio centímetro que sai do ovo, e seu hospedeiro vegetal. Depois, já transformada em borboleta, ela é evitada pelos pássaros, predadores que a rejeitam como alimento provavelmente em virtude do gosto terrível que deve ter. o que provavelmente ocorre em virtude dessa espécie, quando ainda lagarta, assimilar o veneno da única planta-alimento que ingeriu. Isso significa dizer que, sendo engolida por algum predador desprevenido, ela acabará provocará a sua morte..

 

A borboleta-da-praia está incluída na lista das espécies ameaçadas de extinção. Vale ressaltar que a caça predatória não é o fator determinante dessa possibilidade de desaparecimento, pois a causa maior de tal perigo está atrelada à expansão imobiliária que ocorre ao longo do litoral do Rio de Janeiro. As restingas onde as borboletas vivem e se reproduzem são ecossistemas arenosos ou pantanosos, e neles o levantamento de edificações diminui a presença da planta jarrinha. E sem ela, que constitui o seu único alimento, a lagarta da borboleta não tem como sobreviver. A formação de áreas de proteção ambiental seria, pois, uma forma de diminuir o ritmo de extinção e proteger o ecossistema da espécie, permitindo, assim, que a borboleta-da-praia não desapareça definitivamente da região.

 

O ciclo de vida da maioria dos grandes insetos se inicia num ovo, de onde nasce uma larva que se alimenta, cresce, transforma-se em pupa e em seguida surge como inseto adulto muito diferente da larva original. Eles são chamados de Holometábolos, nome cujo significado traduz bem a completa (holo = total) mudança (metábolos = mudança) por que passam, e incluem os Himenópteros, os Coleópteros, os Dípteros, etc.