LAGOA FORMOSA
Minas Gerais
Contam os antepassados que certo dia alguns tropeiros iam de Conquista para outros centros, em busca de sal para os animais. Próximo ao Ribeirão da Babilônia, local de pouso dos viajantes que passavam por aquelas bandas, eles resolveram descansar, pois estavam exaustos. Um deles, de nome Zeca Limírio, percebeu que os animais da tropa tinham se afastado procurando o alto de uma pequena elevação ao norte do ribeirão. Indo até lá, ele encontrou uma aprazível lagoa aonde os burros e cavalos saciavam a sede com a água fresca ali existente. Este foi possivelmente o primeiro contato de um tropeiro com aquela lagoa, até então totalmente selvagem.
Algum tempo depois, outro tropeiro chamado Valdemar de Almeida Barbosa, que descrevia em um diário o que acontecia em suas viagens, dizia a certa altura de seus escritos: ″com a longa viagem pela estrada real que demanda ao sertão do Paracatu, os tropeiros batiam pousada em vários pontos, pois era impossível prosseguir adiante naquele dia″. E falava, ainda, de um local onde alimentavam a tropa e descansavam apreciando a bela paisagem dominada pela vegetação dos campos mineiros, com frondosas árvores nativas circundando uma bela lagoa. Neste lugar, revela o tropeiro, eles cozinhavam os alimentos, refaziam suas energias e davam descanso às mulas cargueiras.
O ponto de parada era aprazível, desabitado, de terra fértil, com água pura e abundante, fatores convidativos para ali estabelecerem a sua morada. Esse lugar foi chamado inicialmente de Lagoa das Éguas (outros diziam que se chamava Lagoa dos Tropeiros), e depois Lagoa Formosa. Começava aí, a ser escrita a história específica da localidade.
Seu primeiro morador, conhecido como Pacheco de Araújo, instalou-se provavelmente à direita do Ribeirão da Babilônia, próximo à ponte atual da BR 354, local hoje fora do perímetro urbano mas próximo à cidade. Como a estrada real passava nos limites de sua propriedade, muitos tropeiros ali paravam para descanso ou troca de produtos. Esse movimento atraiu diversas outras famílias que se instalaram nas proximidades da lagoa.
E assim, o tempo passou. Em 1858 foi criado o distrito de Nossa Senhora da Piedade de Alagoa Formosa (alguns escritos trazem Lagoa), sob a tutela da freguesia de Patos de Minas. Em 10 de outubro de 1858 lavrou-se a escritura de doação do patrimônio, assinada por Manoel Simões de Lima e Francisca Maria Siqueira, sucessores de José Manuel de Santana. Vinte anos depois, em 1878, o povoado passou de distrito a freguesia, ficando desmembrado da de Patos de Minas (não confundir com emancipação política). Criava-se, também, a Paróquia de Nossa Senhora da Piedade. Pouco mais de meio século depois, em 1938, a antiga Lagoa das Éguas mudou de nome; passou a ser chamada de Lagoa Formosa, denominação que já vinha sendo usada pelos moradores já havia algum tempo.
Sobre sua formação administrativa, o distrito de Lagoa Formosa foi criado com essa denominação pela Lei Provincial 2656, de 04/11/1880, e Lei Estadual número 2, de 14/09/1891, subordinado ao município de Patos. Em 07/09/1923, pela Lei Estadual 843, o distrito passou a denominar-se Nossa Senhora da Piedade da Lagoa Formosa.
Em 30/03/1938 o Decreto-Lei Estadual 88, mudou seu nome para Senhora da Piedade da Lagoa Formosa, denominação alterada mais uma vez em 31/12/1943, pelo Decreto Lei Estadual 1058, que não só deu ao distrito o nome de Lagoa Formosa, como também acrescentou ao do município de Patos o complemento “de Minas”.
Elevado à categoria de município pela Lei Estadual 2764, de 30-12-1962, o território pertencente a Lagoa Formosa foi desmembrado do de Patos de Minas e dividido em dois distritos: o da sede e o de Monjolinho de Minas, tendo sua instalação ocorrido em 01/03/1963. Nova alteração foi feita em 08/10/1982 pela Lei Estadual 8285, que criou o distrito de Limeira de Minas (ex-povoado de Limeira) com terras desmembradas do distrito de Monjolinho de Minas.
O município de Lagoa Formosa, com área territorial de 890,920km2, possuía em 2010, conforme recenseamento do IBGE, uma população de 17.161 habitantes, composta por 8.652 homens e 8.509 mulheres. Desses, 12.967 (6.397 homens e 6.570 mulheres) moravam na zona urbana, e 4.194 (2.255 homens e 1.939 mulheres) na zona rural. O gentílico dos naturais do lugar é lagoense.