LEOPARDO-DA-NEVE
Originário da Ásia Central, o leopardo-da-neve (Panthera uncia) é um felino raramente visto pelos homens, razão pela qual pouco se conhece sobre seus hábitos e costumes. Arredio e solitário, ele tem como habitat natural as regiões de difícil acesso das grandes montanhas da cordilheira do Himalaia, na Ásia central (Tibete, Nepal, Índia, Paquistão e algumas partes da China), onde prefere viver entre 3.000 e 4.500 metros, podendo, às vezes, ultrapassar os 5.000 metros. Para viver nessas altitudes ele possui determinadas aptidões físicas, como membros curtos e cavidade nasal mais larga..
Em virtude da perseguição implacável que lhe é feita por caçadores, motivada pelo fato de sua pele, ossos e alguns órgãos internos serem usados pela medicina asiática para produção de remédios, ele foi incluído nas listas mais recentes de animais ameaçados de extinção.
Esse belo felino de cabeça relativamente pequena, com altura máxima em torno dos 70 centímetros e metro e meio de comprimento no corpo, mais cauda que pode chegar a um metro, tem motivado inúmeras lendas nos vilarejos da região onde sua presença é constatada com mais freqüência. Uma delas sustenta que ele não come a carne das vítimas que abate, preferindo beber somente o seu sangue. Tal crendice surgiu do fato de que os leopardos-da-neve, como todos os felinos, sufocam suas vítimas mordendo-as no pescoço, mas de vez em quando são obrigados a deixá-las para trás em virtude da presença de humanos que tentam molestá-lo. Acontece que pelo tempo em que se prolonga a mordedura, o sangue costuma vazar através dos pequenos orifícios feitos pelos dentes caninos do caçador na garganta da vítima, sendo isso, provavelmente, o que alimenta e mantém viva essa crença tibetana.
Os machos da espécie podem pesar até 80 kg, e as fêmeas um pouco menos. Sua pelagem macia e espessa, a mais bela dentre a de todos os leopardos, é formada por pêlos longos e sedosos cuja coloração varia do cinza claro ao cinza escurecido, com as partes inferiores quase brancas, além de manchas escuras espalhadas por todo o corpo. Deitados sobre um rochedo ou escondidos sob um ramo baixo de arbusto, eles permanecem imóveis à espera da presa, saltando sobre ela quando passa desprevenida e ao alcance de seu bote. Cada leopardo das neves possui um vasto território no qual vagueia constantemente em busca de alimento.
Exímios caçadores oportunistas que podem abater desde um iaque, animal de 200 quilos assemelhado ao búfalo africano e bisão americano, até pequenos veados almiscarados de não mais que 10 quilos, além de marmotas e aves, os leopardos-das-neves distribuem-se esparsa e descontinuamente pelas montanhas da Ásia Central (conhecida como “O telhado do Mundo”), sendo essa uma das razões pelas quais sua população seja de tamanho desconhecido. Nessa vasta extensão de terras que compõem seu ambiente natural de vida, o leopardo-das-neves possui vários habitats. Mas embora seja encontrado com mais facilidade nos terrenos áridos e semi-áridos situados entre 3.000 e 4.500 metros de altitude, em certas épocas do ano ele também procura as savanas, estepes, montanhas, florestas de coníferas e florestas densas, onde permanece por tempo não muito prolongado.
Com período de gestação que varia de 98 a 104 dias, as fêmeas da espécie produzem, geralmente, de 2 a 3 filhotes em cada parição. Que nascem em abrigos feitos nas rochas, pesando aproximadamente 450 gramas, abrem seus olhos após sete dias, e só começam a ingerir alimento sólido aos três meses de idade.
A maturidade sexual desses animais acontece entre seu segundo e terceiro ano de vida, estendendo-se o período reprodutivo até o décimo quinto. A solidão do leopardo-da-neve, tanto macho como fêmea, só é interrompida em novembro, durante a época do acasalamento, pois durante o restante do tempo eles permanecem sozinhos, cada um cuidando de si. Os filhotes nascem entre os meses de fevereiro e março, que é a época mais fria do ano na região do Himalaia, sendo alimentados e protegidos pela mãe durante os primeiros e mais difíceis meses de vida. Mesmo assim sua mortalidade é alta nesse período, em conseqüência do frio extremamente rigoroso. Mas com a chegada da primavera eles começam a acompanhar a mãe nas caçadas, logo aprendendo como abater os animais que irão alimentá-los. Na primavera seguinte já estarão independentes.
Como a existência da espécie encontra-se ameaçada, sua caça foi restrita pelas autoridades, embora ainda continue. Fortalecendo tal determinação, a importação de casacos feitos com peles desses grandes felinos tornou-se ilegal nos Estados Unidos. Costuma-se dizer que com quatro delas seria possível produzir uma dessas peças de vestuário que alimentam o sonho de consumo de algumas mulheres endinheiradas. Provavelmente elas não sabem que para obtenção de quatro couros sem cicatrizes e com manchas que combinem em forma e cor, muitos leopardos-da-neve precisam ser mortos pelos que vivem dessa atividade.