PEIXE-PEDRA
Peixes venenosos são os que contêm veneno em seu próprio corpo. O mar está cheio dessas criaturas perigosas, tanto que chega a 1.200 o número conhecido das espécies que oferecem risco para o ser humano porque pode matar a quem comê-las, tocá-las ou serem picadas por qualquer uma delas.
Elas são bem mais numerosos, portanto, que todas as cobras e invertebrados venenosos juntos.
Dessa longa lista também faz parte o peixe-pedra, que ao lado do peixe-dragão e do peixe-aranha integra uma das vinte famílias pertencentes à ordem dos Scorpaeniformes. Eles são geralmente encontrados nos recifes e no interior de embarcações naufragadas, nas praias rochosas e também em lagoas com fundo de pedras.
Os Scorpaeniformes, grupo animal que surgiu há apenas 15 milhões de anos, no período Miocénico, ocupam todos os ambientes marinhos. A maioria das espécies apresenta barbatanas dorsais e peitorais muito elaboradas, com os raios bem destacados. E muitas delas usam o veneno armazenado em bolsas ligadas a esses raios como forma de proteção contra os predadores, embora ele também possa ser perigoso e até mesmo fatal para o ser humano.
Os peixes-pedra (Synanceia verrucosa), que habitam as águas rasas dos oceanos Pacífico e Índico, são considerados os mais perigosos dos seus companheiros venenosos. Sua cor marrom-esverdeada lhe permite passar praticamente despercebido entre as pedras onde costuma ficar acomodado, o que aumenta a possibilidade dele ser tocado ou pisado acidentalmente por alguma pessoa que esteja andando, nadando ou mergulhando na mesma área.
Isso representa um perigo para quem caminha nos trechos rasos de praia, pois o peixe-pedra também tem o hábito de ficar semi-enterrado na areia, como se fosse uma mina. Se ele sentir que próximo a si algo se movimenta na água, eriça os espinhos das costas. Um pé descuidado colocado sobre ele faz aflorar seus pontiagudos instrumentos de defesa.
Encontrado no fundo de águas mornas e rasas, os peixes-pedra, assim como os peixes-aranha e peixes-sapo, só injetam seu veneno em legítima defesa. Eles têm a capacidade de produzir as próprias toxinas, mas é preciso pressão do predador – apertando um dos espinhos ocos no corpo do peixe – para o líquido tóxico ser liberado. Por esses espinhos corre a solução venenosa que, sendo injetada em uma pessoa, irá lhe causar dor intensa durante um período de ate doze horas. E também provocar-lhe, dependendo da profundidade de penetração do espinho na carne da vítima, choque, paralisia e morte de tecidos. Caso essas alterações físicas não sejam tratadas convenientemente nas primeiras horas após a ocorrência da agressão, elas poderão fazer surgir a possibilidade de que o nível de toxidade se torne fatal. Mais de 50 mil ferimentos provocados por esses peixes são registrados anualmente, e destes a maioria é constituída de bolhas que se não forem tratadas a tempo geralmente acabam se transformando em um problema bem mais sério..
Medindo entre trinta e sessenta centímetros de comprimento, os peixes-pedra também buscam proteção camuflando-se como as rochas e pedregulhos existentes em seu habitat. Parcialmente enterrados na areia ou na lama, seu disfarce é realçado por uma cobertura de caroços verrugosos que secretam substância pegajosa na qual ficam grudados alguns pequenos organismos marinhos.
O que se conhece sobre os peixes-pedra não revela muita coisa sobre as suas preferências e modo de vida. Do pouco que se sabe deles é que são solitários, territoriais, e têm sua dieta baseada principalmente em peixes pequenos e crustáceos. Para capturá-los, costumam ficar imóveis sobre alguma pedra ou mesmo esticados na areia, mimetizados com o fundo do lugar onde se encontram, espreitando as possíveis vítimas que nadam por perto até conseguir abocanhar uma delas.
Quanto ao processo reprodutivo dessa espécie, não há dados conclusivos sobre como ela se processa, a não ser que provavelmente as fêmeas largam os ovos à deriva em regiões de estuário.