CALÍOPE
As nove Musas, filhas de Júpiter (Zeus) e de Memória (Mnemósine) possuíam lugar assegurado nos festins e concertos dos deuses. Todas eram jovens, belas, e segundo Hesíodo, o mais antigo poeta grego de que se tem notícia com alguma certeza, cada uma, separadamente, encarregava-se de um ramo especial da literatura, da ciência e das artes.
Clio era a musa da história; Tália, a da comédia e da poesia ligeira; Melpómene, musa da tragédia e da harmonia musical; Érato, a da poesia erótica, Urânia, musa da astronomia; Polímnia, a da poesia sacra; Terpsícore, musa da dança e do canto; Euterpe, a da poesia lírica, e Calíope, musa da poesia épica.
O significado do nome desta última é “a de bela voz”. A mais velha, a mais sábia e a mais distinta dessas nove entidades mitológicas, ela é a musa da eloqüência e da poesia épica ou heróica. Ela é mostrada geralmente como uma jovem de ar majestoso, ornada de grinaldas, tendo na fronte a coroa de ouro que, segundo Hesíodo, indica sua supremacia sobre as outras musas. Sentada em uma atitude de meditação, com uma das mãos empunha uma trombeta, e com a outra, um poema épico.
Com Apolo, ou Febo, deus da juventude e da luz, ela teve dois filhos: Himeneu (deus dos cantos nupciais, do casamento) e Iálemo (deus dos cantos tristes pelos que morrem jovens). Da união com Eagro, rei da Trácia, personagem da mitologia grega sobre o qual existem muitas versões a respeito de sua genealogia, foi mãe de Orfeu (poeta mítico e músico).
O poeta Luis de Camões, no início do Canto III de Os Lusíadas, pede a Calíope que o inspire para melhor contar a história de Portugal, como Vasco da Gama a relatou ao Rei de Melinde. Diz ele nestes versos: “Agora tu, Calíope, me ensina / O que contou ao Rei o ilustre Gama:/ Inspira imortal canto e voz divina / Neste peito mortal, que tanto te ama. / Assim o claro inventor da Medicina, / De quem Orfeu pariste, ó linda Dama, / Nunca por Dafne, Clície ou Leucotoe, / Te negue o amor devido, como soe”.
Coletivamente, Calíope e as demais musas estão presentes nas grandes festas divinas, como as do Olimpo, do casamento de Peleu e Tétis, e do casamento de Cadmo e Harmonia, e ainda em funerais de heróis, como no de Aquiles. Julgaram a contenda entre Apolo e Mársias e envolveram-se, por sua vez, em algumas disputas musicais: com as sereias, com as filhas de Pieros e com Tamiris. Os desafiantes eram vencidos e a seguir punidos pela audácia.
Como divindades ligadas à música e à inspiração, eram frequentemente consideradas mães de vários músicos lendários. Por isso atribuí-se a quase todas elas uma aventura amorosa - Calíope e o rei Eagro, por exemplo, são considerados pais de Orfeu; e Urânia, mãe de Himeneu, a personificação da música cantada em casamentos, e do músico Lino, de quem se diz que inventou a melodia e o ritmo.
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