FILOCTETES
Filoctetes (ou Filocteto, em grego), filho do rei Peante de Melibeia e Demonassa, era originário da Tessália, na parte central do país, região onde se localiza o Monte Pelion, famoso por ser o lar do deus Atlas e das criaturas mitológicas conhecidas como centauros. Amigo e mestre de armas de Heracles (Hércules), de quem recebeu o arco e as flechas mergulhadas na bílis venenosa da Hidra de Lerna, foi ele quem acendeu a pira funerária (algumas fontes dizem ter sido Iolau) do herói grego.
Na segunda ilustração, Hércules, deitado em sua pira funerária, sobre a pele do leão de Neméia, entrega o arco e as flechas para Filoctetes. À direita, vê-se parte do corpo de Hermes, reconhecível pelas botas aladas.
Diz a lenda que quando Filoctetes se preparava para participar da Guerra de Tróia, foi picado por uma serpente, ou então ferido acidentalmente por uma das flechas envenenadas que levava consigo, ficando moribundo na ilha de Lemnos. Todavia, como havia sido profetizado que Tróia não poderia ser capturada sem as flechas de Hércules, tudo foi feito, então, para conduzi-lo ao campo de batalha, onde sarou. Foi ele quem matou Paris, que havia atingido mortalmente a Aquiles, com uma seta no calcanhar. Sua história é contada por Sófocles, e também por Virgílio, Píndaro, Séneca, Quintiliano, Ovídio e Higino. Filoctetes chefiou um dos contingentes tessalianos – o da Magnésia - que participaram da Guerra de Tróia.
A versão mais aceita desse capítulo da história mitológica grega diz que durante a viagem de ida Filoctetes foi picado no pé por uma serpente venenosa, e o doloroso ferimento arrancava-lhe gritos lancinantes. Por isso seus companheiros, incomodados com o terrível cheiro que exalava da ferida e com as constantes queixas feitas por ele, o abandonaram na ilha de Lemnos, localizada no nordeste do mar Egeu. Dez anos depois, entretanto, diante da profecia de que o arco e as flechas de Héracles (Hércules) conquistariam Tróia, os gregos enviaram Odisseu (Ulisses) e Neoptólemo, filho de Aquiles, para buscá-lo, quando então a ferida foi curada pelo herói-médico Macaon, filho de Asclépio (Esculápio).
O ferimento de Filoctetes é descrito pelos antigos escritores gregos de formas diferentes. Em uma delas conta-se que ele teria sido mordido por uma serpente enviada pela deusa Hera, esposa de Zeus (Júpiter), o deus maior, como castigo pelos serviços que havia prestado a Hercules, filho bastardo de seu marido. Outra relata que os gregos o forçaram a mostrar-lhes onde as cinzas de Hercules tinham sido depositadas, mas que ele, não querendo quebrar o juramento com as suas próprias palavras, mostrou-lhes o lugar com o pé. Mas assim que tocou no solo sob o qual estavam as cinzas procuradas, seu pé foi ferido por uma das flechas envenenadas pelo herói morto. Ela caiu da aljava e o feriu, punindo-o assim pelo perjúrio cometido.
Fosse qual fosse a causa da ferida, Filoctetes não conseguiu juntar-se naquela oportunidade aos demais gregos, mas tampouco ficou agradado pelo tratamento que lhe foi dado por Ulisses (Odisseu), que aconselhara seus companheiros a deixá-lo na ilha onde estava. Por isso Médon, antigo pretendente de Penélope que, ao contrário dos demais, foi cortês com ela e por isso poupado por Ulisses, tomou conta dos homens de Filoctetes, que ficou sozinho em Lemnos durante dez anos.
Filoctetes foi um dos poucos heróis que retornaram sem problemas após a queda de Tróia, sem que lhe acontecesse qualquer infortúnio. Durante o conflito ele matou muitos adversários valorosos, tais como Páris, filho de Príamo e esposo de Helena. Depois da guerra ele viajou para a Itália e fundou a cidade de Petilia, na Calábria.