REIA (Cibele)

RÉIA (CIBELE)

 

http://fernandod.com.br/images/textos/REIA%201.jpgSaturno, apesar de ser o pai dos três principais deuses, Júpiter, Netuno e Plutão, não teve entre os poetas o título de Pai dos Deuses, talvez devido à sua crueldade com os filhos. Ao passo que Reia, sua esposa, era chamada de Mãe dos Deuses, a Grande Mãe, e venerada com esse nome.

 

Os diferentes nomes pelos quais era designada a mãe de Júpiter exprimiam, sem dúvida, atribuições diversas da mesma pessoa.  Realmente, essa deusa, sob qualquer dos seus muitos nomes, é sempre a Terra, mãe comum de todos os seres. Reia (na mitologia grega), ou Cibele (na mitologia romana), era filha de Titéia e do Céu, irmã dos Titãs, mulher de Saturno. Confundem-se as fábulas de Reia e de Cibele.

 

Os poetas chegam a fazer confusão entre essas duas deusas e a antiga Vesta, mulher de Urano. Entretanto, é o nome de Cibele que nas cerimônias do culto e nas cerimônias religiosas dos povos, parece ter sido o mais honrado.

 

Filha do Céu e da Terra, Cibele, mulher de Saturno, era chamada de Boa Deusa, a Mãe dos Deuses, por ser mão de Júpiter, de Juno, de Netuno, de Plutão e da maior parte dos deuses de primeira ordem. Logo depois de nascer, sua mãe a expôs em uma floresta, e os animais ferozes tomaram conta dela e alimentaram-na. Enamorou-se de Átis, jovem e formoso frígio a quem confiou o seu culto, sob a condição de que ele não violasse o seu voto de castidade. Átis quebrou o juramento desposando a ninfa Sangarida, e Cibele puniu-o matando a rival. Átis ficou profundamente magoado; num acesso de delírio mutilou-se, e ia enforcar-se quando Cibele, com uma compaixão tardia, transformou-o em um pinheiro.

 

O culto de Cibele tornou-se celebra na Frigia, de onde foi levado a Creta. Foi introduzido em Roma na época da segunda guerra púnica. O simulacro da Grande Deusa, uma grande pedra por muito tempo conservada em Pessina, foi colocada no templo de Vitória, no monte Palatino. Foi um dos penhores da estabilidade do império, e se instituiu uma festa, com combates simulados, em honra de Cibele. Os seus mistérios, tão ,libertinos quanto os de Baco, eram celebrados ao som de oboés, de címbalos e de uivos.

 

http://fernandod.com.br/images/textos/REIA%202.jpgSacrificavam-lhe, pela sua fertilidade, uma porca ou uma cabra. Os sacerdotes, durante esses sacrifícios, permaneciam sentados e batiam palmas no chão. O buxo e o pinheiro eram-lhe consagrados, o primeiro por ser a madeira de que se faziam as flautas, instrumentos empregados na festa, e o segundo por causa do desgraçado Átis, a quem Cibele tanto amara. Os seus sacerdotes eram os Gabiros, os Coribantes, os Goretes, os Dátilos do monte Idas, os Galos, os Semiviros e os Telquinos, quase todos eunucos, em memória de Atis.

 

Alguns poetas supuseram que Cibele fosse a filha de Meon e Dindimo, rei e rainha da Frigia, e acreditava, que seu pai, tendo percebido que ela amava Átis, fez com que este morresse com suas mulheres e atirou os seus corpos em um monturo. Cibele ficou inconsolável.

 

Ops, a mesma que Cibele e Reia, é representada como uma venerável matrona que estende a mão direita oferecendo socorro, e que com a esquerda dá pão ao pobre. Era também considerada a deusa das riquezas. O seu nome quer dizer socorro, auxílio, assistência.

 

Não é de admirar ter sido a Terra tantas vezes personificada sob denominações diferentes. Fonte inesgotável de riquezas, mãe fecunda de todos os bens, ela se oferecia à adoração dos povos sob vários aspectos, conforme o clima e a região, favorecendo o surgimento de múltiplas lendas e dos seus inumeráveis símbolos.

 

Texto extraído do livro “Mitologia Greco-Romana”, de Márcio Pugliesi.