PROMETEU
Segundo Hesíodo, poeta grego que viveu provavelmente no século 8 a.C. e escreveu sobre a genealogia dos deuses, o titã Prometeu, filho de Jápeto com Ásia, ou Climene, era irmão de Atlas, Ménetos e Epimeteu. Foi ele que criou os homens, com seu irmão Epimeteu, e também roubou o fogo dos deuses e o entregou como presente às suas criações.
Conta a mitologia grega que um deus - não se sabe qual – cuidou de dispor sobre a Terra recém-criada o que nela ainda existe: rios lagos, montanhas, vales, bosques, fontes, campos férteis e áridas planícies, frutas, peixes, aves e os quadrúpedes. Mas faltava um animal mais nobre, e por isso foi entregue a Prometeu e Epimeteu a tarefa de fazê-lo sem tardança, assegurando-lhe, bem como aos outros animais, todas as faculdades necessárias à sua preservação.
Para cumpri-la os irmãos tomaram um pouco da terra solta no chão, misturaram-na com água e fizeram o homem à semelhança dos deuses. Deram-lhe o porte ereto, de maneira que enquanto os outros animais tinham o rosto voltado para baixo, olhando a terra, a nova criatura levantava a cabeça para olhar as estrelas no céu.
Epimeteu atribuiu a cada animal seus dons variados – coragem, força, rapidez, sagacidade, asas a um, garras a outro, uma carapaça protegendo um terceiro, e assim por diante -, mas quando chegou a vez do homem, que precisava ser superior aos demais, surgiu um problema: ele gastara seus recursos com tanta prodigalidade que nada mais restava. Sem saber como agir Epimeteu recorreu ao irmão Prometeu, que com a ajuda de Atena (Minerva, para os romanos) subiu ao céu e acendeu sua tocha no carro do sol, trazendo, assim, o fogo para o homem, que com este dom assegurou sua superioridade sobre os outros animais.
Isso porque o fogo lhe forneceu o meio de construir as armas com que os subjugou; as ferramentas com que cultivou a terra e aqueceu sua morada, tornando-se relativamente independente do clima; e finalmente, lhe permitiu dominar a arte de cunhagem das moedas, que ampliou e facilitou o comércio.
Mas Zeus não o perdoou pelo furto do fogo, que era exclusivo dos deuses. E segundo Hesíodo, ele disse a Prometeu “Filho de Japeto, rejubilas-te por haveres roubado o fogo divino e iludido a minha sabedoria; mas esse ato será fatal a ti e aos homens que hão de vir. Para vingar-me, enviar-lhes-ei um funesto presente que os enfeitiçará e fará com que amem o seu próprio flagelo”. Por isso mandou que o acorrentassem no topo de uma montanha no Cáucaso, onde uma águia lhe devorava o fígado diariamente. Mas como esse órgão crescia novamente, o tormento se renovava interminavelmente.
Por fim, foi Hércules, o herói grego matador dos monstros e grande reparador de erros, quem o livrou do castigo sem fim ao matar a águia que o martirizava.
Segundo alguns autores, o titã Prometeu, que conhecia o futuro, predissera que quem desposasse a nereida Tétis, filha de Nereu, um deus marinho mais antigo que Netuno, teria um filho mais poderoso que o pai, e Zeus, ao tomar conhecimento de tal presságio, renunciara ao projeto de unir-se a ela.
Por isso, como demonstração de sua gratidão, embora tardia, o deus maior não criou obstáculo quanto a libertação do acorrentado, mas para não violar seu juramento de nunca o libertaria, ordenou que o mesmo passasse a usar um anel com um pedacinho do rochedo do Cáucaso nele engastado, para que assim fosse confirmada sua sentença de que ele estaria sempre preso à montanha caucasiana.
Segundo Márcio Pugliese, em Mitologia Greco-Romana, “Muitas histórias foram atribuídas a Prometeu. Este era particularmente popular em Atenas, onde tinha seus altares ao lado da Academia, e os pais contavam aos filhos suas façanhas. Assim, por exemplo, em um sacrifício, Prometeu fez matar dois bois e encheu uma das peles com carne e a outra com os ossos dessas vítimas. Zeus escolheu a segunda pele, o que o fez tornar-se ainda mais impiedoso na sua vingança”.
Fonte: O Livro de Ouro da Mitologia, de Thomaz Bulfinch