MOA

MOA

 

 http://fernandod.com.br/images/textos/MOA%201.jpgAtualmente extinta, a moa era uma ave incapaz de voar que habitou a Nova Zelândia. Supõe-se que tenha desaparecido há pouco mais de quinhentos anos (século 16), aproximadamente, sendo quatro os motivos sugeridos por cientistas para explicar a causa dessa tragédia animal: a chegada de humanos em seu habitat; a caça excessiva praticada pelos nativos, que apreciavam sua carne; as doenças trazidas por aves migratórias; ou, então, a alteração de seu habitat provocada por uma erupção vulcânica.    

 

Apesar disso, até bem pouco tempo ainda existiam pesquisadores, embora poucos, que acreditavam na possibilidade de alguns espécimes terem sobrevivido à mortandade que dizimou a espécie, e por isso possam ser encontrados vivos em zonas remotas na ilha do Sul, da Nova Zelândia.

 

Delas existiram doze espécies diferentes, todas herbívoras A maior tinha 3,65 metros de altura, e a menor o tamanho de um peru, aproximadamente. Análises feitas em seus restos fósseis mostraram que se alimentavam basicamente com galhos e folhas de árvores e arbustos, e também engoliam pedras que permaneciam em suas moelas, ajudando-as a triturar os alimentos ingeridos. Supõe-se que eram dominantes em seu ecossistema, que compreendia áreas de florestas e zonas arbustivas. Seu pescoço era longo e posicionado na vertical, a cabeça pequena com bico largo e reto, corpo apoiado em pernas grossas com pés consideravelmente grandes; e pesavam em torno de 200 quilos, ou pouco mais.. Levavam cerca de dez anos para chegar à idade adulta, e faziam seus ninhos em pequenas depressões escavadas em rochas moles.

 

http://fernandod.com.br/images/textos/MOA%202.jpgEm seu livro “As origens da virtude” (The origins of virtue), o jornalista científico Matt Ridley mostra a relação entre a chegada do homem nas novas terras descobertas por eles, e as datas de extinções de animais de grande porte. Em Madagascar, por exemplo, colonizada 500 a.C., sumiram 17 espécies de lêmures de maior porte e os pássaros-elefantes que podiam pesar cerca de meia tonelada. O mesmo aconteceu ao longo do oceano Pacífico. Segundo esse cientista, jornalista e autor briotânico, o episódio mais dramático e recente ocorreu na Nova Zelândia, há 600 anos.

 

Com a chegada dos maoris todas as espécies do moa gigante desapareceram, bem como metade das variedades de pássaros nativos da Nova Zelândia que também foi extinta nesse período. Até hoje não se sabe ao certo como esses indígenas chegaram à nova terra, mas indícios arqueológicos, lingüísticos e antropológicos revelam que seus ancestrais podem ter partido do leste polinésio até seu novo destino, as ilhas neozelandesas, atravessando o Oceano Pacífico em canoas. Experiências parecidas ocorreram na Austrália e também no Havaí. Todos os animais de grande porte que não conheciam predador (e por isso não temiam o homem) devem ter virado comida de gente e desapareceram rapidamente.

 

http://fernandod.com.br/images/textos/MOA%203.jpgAté a chegada dos humanos o único predador das moas era a águia-de-Haast. Mas elas também foram extintas. Os maoris chegaram às ilhas que compõem a atual Nova Zelândia por volta do ano de 1300, e logo começaram a caçá-las para alimentação. Supõe-se, através de análises de carbono 14, que esta espécie conseguiu sobreviver não só à caça que lhe moviam, mas também à depredação de seu habitat, até princípios do século 16. Mas isso só foi registrado pela ciência no século 19, quando pesquisadores encontraram os primeiros esqueletos na Ilha do Norte, em fins de 1830.

 

As moas foram reconstituídas através de esqueletos incompletos de diferentes animais, e por esta razão não se sabe qual seria seu verdadeiro aspecto. Mais recentemente passou-se a acreditar, através de estudos feitos em sua coluna vertebral, que elas andavam com os pescoços em posição horizontal, embora sejam tradicionalmente representadas com eles na posição vertical. Tal como aparece nas ilustrações aqui mostradas.

 

As terras da Nova Zelândia foram as últimas do planeta a receber os povos europeus, o que ocorreu em meados do século 17. Seus primeiros visitantes foram os viajantes Abel Tasman, que aí aportou em 1642, e James Cook, que desembarcou nesta região em 1769. Pelas descrições feitas por ambos do povo ali encontrado, eles pertenciam a tribos cruéis e altivas, constantemente em conflito, e sempre prontas a escravizar ou a devorar os derrotados.