1878 - PASSADIÇO DA RUA DA GLÓRIA
Diamantina - Minas Gerais
O site oficial de Diamantina, em Minas Gerais, revela que a cidade, com quase três séculos de fundação, passando de povoado a arraial até chegar a município, é rica em história e tradições, possuindo um patrimônio arquitetônico, cultural e natural rico e preservado.
A formação do município está intrinsecamente ligada à exploração do ouro e do diamante. A ocupação inicial do território se deu com Jerônimo Gouvêa, que, seguindo o curso do Rio Jequitinhonha, encontrou, nas confluências do Rio Piruruca e Rio Grande, uma grande quantidade de ouro.
Por volta de 1722, começou o surgimento do povoado, sempre seguindo as margens dos rios que eram garimpados. A partir de 1730, ainda com uma população flutuante, o Arraial do Tejuco foi se adensando. Por meio da expansão de pequenos arraiais ao longo dos cursos d’água em direção ao núcleo administrativo do Tejuco, foi se formando o conjunto urbano de Diamantina, tendo como primeiras vias a Rua do Burgalhau, Rua Espírito Santo e Beco das Beatas.
Em 1938, o conjunto arquitetônico do Centro Histórico da cidade foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, e, no final da década de 90, veio o reconhecimento mundial: Diamantina recebe da Unesco o título de Patrimônio Cultural da Humanidade.
Atualmente, Diamantina é uma das cidades históricas mais conhecidas e visitadas do país. O casario colonial, de inspiração barroca; as edificações históricas; as igrejas seculares; a belíssima paisagem natural e uma forte tradição religiosa, folclórica e musical conferem uma singularidade especial à cidade.
Na Rua da Glória, centro de Diamantina, vêm-se dois sobrados ligados por um passadiço, que nas palavras do Cônego Severiano de Campos Rocha, "o primeiro tem frente para o sudoeste, é um edifício antiquíssimo e histórico. A sua construção é da época do Brasil colônia. Era um edifício com amenos jardins, chafarizes, tanques, bosques artificiais e labirintos de roseiras entrelaçadas".
Serviu de residência a vários Intendentes, sendo o último, o Dr. Manoel Ferreira da Câmara Bittencourt Aguiar e Sá (Intendente Câmara). Posteriormente, no século XIX pertenceu a Dona Josepha Maria da Glória. Em 1865 o primeiro Bispo de Diamantina, D. João Antônio dos Santos comprou este prédio para destiná-lo a Colégio e Orfanato de Nossa Senhora das Dores. Foi por pouco tempo, sua morada.
O segundo prédio, situado de frente ao primeiro, é de estilo arquitetônico menos pesado e mais no estílo do século XIX. Foi construído às expensas do Ten. Cel. da Guarda Nacional, Rodrigo de Souza Reis. Na construção foram usadas madeiras da chácara de Chica da Silva. Após a morte do Ten. Cel. Rodrigo, o Bispo D. João adquire a sua propriedade, para ampliação das instalações do Colégio Nossa Senhora das Dôres.
O Bispo D. João, pede autorização à Câmara Municipal em 1878, para a construção de um passadiço, ligando e abraçando os dois prédios. A Câmara nomeia uma comissão, com a presença do Engenheiro do Distrito, Dr. Catão Gomes Jardim, que analisou a obra a ser feita "...sobre a forma, altura, e material de que se deve fazer o mencionado passadiço, sem prejuízo do público e embelezamento da rua...".
O engenheiro Dr. Catão Gomes Jardim foi, portanto, o engenheiro e o arquiteto do passadiço, símbolo escolhido para a campanha do tombamento de Diamantina como "Patrimônio Cultural da Humanidade". Estes dois prédios pertencem à Universidade Federal de Minas Gerais, funcionando neles o Centro de Geologia Eschwege.
Na ilustração acima, o Passadiço da Rua da Glória em aquarela de Lúcio Costa, 1924.