JORNAIS DE MULHERES - SÉCULO 19

JORNAIS DE MULHERES – Século 19

 

http://fernandod.com.br/images/textos/JORNAIS%20DAS%20MULHERES%2011.jpgOficialmente, o primeiro jornal impresso no Brasil foi “A Gazeta do Rio de Janeiro”, fundado em 10/09/1808. Circulando duas vezes por semana, era uma publicação oficial da Coroa portuguesa, então refugiada no país. Pouco antes dele, Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça editara em Londres, em 1º de junho de 1808, o primeiro número do Correio Brasiliense, ou Armazém Literário, considerado o primeiro jornal brasileiro.

 

Depois surgiram muitos outros jornais e revistas, todos de vida curta e costumeiramente feitos por homens porque naquela época as mulheres não exerciam essa atividade. Comportamento tão impróprio e incorreto que elas próprias, ao longo do tempo, se encarregaram de modificá-lo

 

Segundo a jornalista Dulcília Buitoni em “Mulher de Papel: a representação da mulher na imprensa feminina brasileira”, sua tese de doutorado pela FFLCH/USP (1980), “A primeira revista feminina brasileira teve um nome comprido e uma vida curta: nasceu em 1827 e morreu em 1828”. O título era ‘O Espelho Diamantino’, e o subtítulo dizia: “Periódico de Política, Literatura, Belas Artes, Teatro e Modas - Dedicado às Senhoras Brasileiras”. No ano seguinte, surgiu o semanário “O Mentor das Brasileiras”, impresso em São João del Rei, que circulou até 1832 defendendo a importância da “participação das mulheres da boa sociedade nos debates sobre a política, a educação, a moral, a vida privada e social”.

 

http://fernandod.com.br/images/textos/JORNAIS%20DE%20MULHERES%202.jpgEm 1831, em Olinda, Pernambuco, Nísia Floresta (na ilustração acima) criou o jornal “Espelho das Brasileiras”, valendo-se dele para publicar seus textos dirigidos ao público feminino. Durante as 30 edições desse periódico, que circulou de fevereiro a abril de 1831, ela colaborou com uma série de artigos anônimos, que comparavam a situação da mulher no século 19 com a visão sobre o sexo feminino em culturas antigas.

 

Em 1832 “A Mulher do Simplício” e “A Fluminense Exaltada”, no Rio de Jáneiro, pequenos jornais humorísticos e de variedades, ambos redigidos em versos por Francisco de Paula Brito, mulato de família humilde, um tipógrafo que havia deixado o ‘Jornal do Comércio’ para montar sua própria empresa de comunicação; em 1835, o “Jornal de Variedades”; em 1838, o Relator de Novellas; em 1839, o Correio das Modas, no Rio de Janeiro, inovando e trazendo farto material ilustrativo da Europa; em 1841, o Espelho das Bellas. É dessa época, o lançamento do primeiro folhetim no Brasil (1838) com a tradução do francês de "O Capitão Paulo" no Jornal do Commercio.

 

Entre moda e literatura, a imprensa feminina brasileira caminhava. Com nome de flores, pedras preciosas ou animais graciosos, metáforas da figura feminina, ou mencionando a mulher e seus objetivos, tivemos no Rio, São Paulo e outras cidades, A Camélia, A Violeta, O LÍrio, A Crisálida, A Borboleta, O Beija-Flor, [...] e assim por diante.


Nascida na Bahia em 01 de dezembro de 1817, Violante Bivar é considerada por muitos como a primeira jornalista brasileira, embora outros tenham a argentina Joana Paula Manso de Noronha, como fundadora do primeiro periódico feminino, O Jornal das Senhoras, em 1852, publicado no Rio de Janeiro. Fundadora ou não do jornal em questão, é certo que o dirigiu até 1855. Em 1873, a baiana Violante criou o jornal O Domingo, veículo que dirigiu até sua morte, em 25 de maio de 1875.

 

http://fernandod.com.br/images/textos/JORNAIS%20DE%20MULHERES%203.jpgEm 1862 surgiu O Bello Sexo: “Periódico Religioso, de Instrução e Recreio, Noticioso e Crítico Moderado” redigido por Julia de Albuquerque Sandy Aguiar, também no Rio de Janeiro. Apesar de manter o tom ponderado de seu antecedente, o próprio subtítulo revela que sua aceitabilidade se apoiava em tradições religiosas e moderadas, mas apresentando algumas inovações, como a reunião semanal de suas colaboradoras e artigos assinados – prática incomum no Jornal das Senhoras –, acenando para a maior tolerância da escrita feminina.

 

No dia 07/09/1873, começou a circular em Campanha, Minas Gerais, o periódico semanal intitulado O Sexo Feminino. Neste, e nos quarenta e quatro números publicados em seguida, a professora Francisca Senhorinha da Motta Diniz e suas colaboradoras tinham como motivação comum a melhoria da condição da mulher na sociedade. Seu jornal atingia, provavelmente, uma razoável porcentagem da população feminina local alfabetizada, assim como um público fora dos limites da cidade.  Ela se manteve como jornalista atuante até 1893, pelo menos. ano em que publicava O Quinze de Novembro do Sexo Feminino.

 

Em 1914, era fundada por Virgilina de Souza Salles, a "Revista Feminina" em São Paulo. Sua circulação aconteceu até 1936, tendo como colaboradores, Olavo Bilac, Coelho Neto, Couto de Magalhães, Menotti del Picchia e as escritoras, Júlia Lopes de Almeida, Francisca Júlia da Silva e Presciliana Duarte. Nesta época, lia-se a "Cigarra", "A Senhorita", "A Vida Galante" e a "Revista Ilustrada".

 

Fonte: Professora Dulcila Scroeder Buitoni