RAPOSA E O PORCO-ESPINHO, A
Esopo
Uma raposa precisava atravessar um rio não muito caudaloso. E como não havia outro jeito, ela se viu obrigada a fazer isso a nado, o que não era de seu gosto. Ela jogou-se na água e foi durante minutos que pareceram horas, ela conseguiu avançado devagar, mas acabou surpreendida por forte correnteza que a arrastou por dezenas de metros. Depois de lutar desesperadamente chegar à outra margem, onde se deitou exausta, quase sem fôlego, mas feliz por ter deixado para trás um perigo do qual chegara a pensar que não escaparia com vida.
Mas nem bem deitara e um enxame de moscas sugadoras de sangue apareceu e pousou nela. Cansada como estava, a raposa não teve como fugir, permanecendo quieta em seu canto. Nesse momento chegou um porco-espinho. Ao perceber o que acontecia, ele prontificou-se a ajudar de algum modo a extenuada nadadora e por isso lhe disse:
- Deixe-me espantar estas moscas para longe de você!
Ao que a raposa respondeu quase sussurrando:
- Não, amigo, não as perturbe, por favor. Elas já tiraram de mim o tanto de sangue que as deixou satisfeitas. Mas se você as espantar como deseja, logo virão outras tão ou mais famintas, e essas certamente tomarão o pouco de sangue que ainda me resta!
Moral da história: Algumas vezes o remédio para a cura de um mal pode ser pior do que o mal em si mesmo.
Baseado em uma fábula de Esopo.