CORDEL - Catulo da Paixão Cearense - FLOR DO MARACUJA, A

FLOR DO MARACUJÁ, A

Catulo da Paixão Cearense

 

 

http://fernandod.com.br/images/textos/FLOR%20DO%20MARACUJA%202.jpgEncontrando-me com um sertanejo / Perto de um pé de maracujá / Eu lhe perguntei:  / Diga-me caro sertanejo  / Porque razão nasce roxa  / A flor do maracujá?

 

Ah, pois intão eu lhi conto  / A históra que uvi contá / A razão pruque nasce roxa  / A frô do maracujá:

 

Maracujá já foi branco  / Eu posso inté lhe ajurá / Mais branco qui caridadi  / Mais branco do qui o lua..

 

Quando a frô brotava nele  / Lá nos confim do sertão / Maracujá até parecia  / Um ninho de argodão.

 

Mas um dia, há muito tempo  / Num meis que inté num mi alembro  / Si foi maio, si foi junho  / Si foi janero ou dezembro,  

 

Nosso sinhô Jesus Cristo  / Foi condenado a morrê / Numa cruis crucificado  / Longe daqui cumo o quê

 

Pregaro cristo a martelo  / E ao vê tamanha crueza  / A natureza inteirinha  / Pois-se a chorá di tristeza.  

 

Chorava us campu / As foia, as ribera  / Sabiá também chorava  / Nos gaio da laranjera

 

E havia junto da cruis  / Um pé de maracujá / Carregadinho de flor / Aos pé de nosso sinhô.

 

I o sangui de Jesus Cristo  / Sangui pisado de dô / Nus pé du maracujá  / Tingia todas as frô.

 

Eis aqui intão seu moço / A historia que uvi contá / A razão pruque nasci roxa  / As frô do maracujá.