CAMISINHA PARA TODOS

CAMISINHA PARA TODOS
José João dos Santos (Mestre Azulão)

 

http://fernandod.com.br/images/textos/CAMISINHA%20PARA%20TODOS.jpgAIDS é uma moléstia / De temeridade imensa / Você vê televisão? / Ouve rádio, lê imprensa? / Não fique aí de joelhos / Tome logo meus conselhos / Para evitar a doença  / AIDS não pega no beijo / Nem num aperto de mão / É transmitida no sangue / Através da transfusão / Ou na extração de dente / Se usar de um doente / A agulha da injeção

 

Criança também tem AIDS / Transmitida pelos pai / Vítimas duma transfusão / Ou farras e bacanais / Mata, avião, trem e carro / Apesar que o cigarro / Está matando muito mais / Você tem uma mulher / Formosa igualmente Lua / Porém não se satisfaz / Ainda quer mulher da rua / Ou transa com a vizinha / Use uma camisinha / Pra não transmitir pra sua

 

Amantes e namorados / Ouçam bem o que lhes digo / Podem beijar, abraçar, / Chupar da cara ao umbigo Seja fêmea, seja macho / Só do umbigo pra baixo / É que começa o perigo / Até mesmo os astronautas / Que conheceram grande parte  / do Cosmo, em viagem a lua / Mostrando façanha e arte / Viram planetas pequenos, / Usam camisa de Vênus / Antes de chegarem à Marte

 

Um fazendeiro baiano / Que mora em Alagoinhas / Quando leu pelos jornais / Comprou dez mil camisinhas / Até pra bois e cavalos / Principalmente pros galos / Que transam com mil galinhas / Esse também tem um jegue / Reprodutor violento / E está preocupado / Com a vida do jumento / Vai fazer o jegue usa / Camisa, pra não pegar / AIDS a qualquer momento

 

Uma garota me disse  / Porém me pediu um segredo / Que apesar de donzela / Da AIDS tem muito medo / Vai comprar a camisinha / Pra quando ficar sozinha / Usar na ponta do dedo / Se não criarem uma droga / Que salva a humanidade / A AIDS vai provocar / Uma grande mortandade / Pior que a segunda guerra / De todos os povos da terra / Vai morrer mais da metade

 

Quando aproximar-se o fim / Diz a sagrada escritura / Vem a desobediência / Guerra, nudez e loucura / O povo em Deus perde a crença / E aparecerá a doença / Que a medicina não cura / O povo está corrompido / No tóxico, sexo, no vício / Ódio, maldade e ganância / Gerando guerra e suplício / O mundo está num vulcão / Com toda população / Na beira do precipício

 

Satanás plantou no mundo / Sua semente do mal / Inventando toda espécie  / de vício sexual / Vem aí por recompensa / Desconhecida doença / Pra destruição total / Não adianta conselho / De pastor, Papo de Roma / Essa geração perdida / Ouve o conselho e não toma / Essa gente corrompida / Vai ser toda destruída / Como o povo de Sodoma

 

Somente imoralidade / Toma corpo e continua / Mulher de bunda de fora / Na televisão, na rua, / Não existe mais pudor / Pra esses só tem valor / Pederasta e mulher nua / Os nossos filhos não podem / Assistir televisão / Porque em todos canais / Só tem esculhambação / Casal nu e cena louca / Chupando a língua e a boca / Ensinando a perdição

 

A televisão foi feita / Pra nos mostrar coisa pura / Ensinar aos nossos filhos / Patriotismo e cultura / Porém da roça e a cidade / Só mostra imoralidade / Livre de toda censura / Devassidão, crime e roubo / Televisão tudo tem / Trazidas pelas imagens / Que pros nosso lares vêm.

 

Violência em todo estilo / A criança vê aquilo / Depois vai fazer também / Ensina moça andar nua / Mulher trair o marido / Garota aprender o sexo / Garoto virar bandido / Nessa transação imensa / De crime, tóxico e doença / Deixou o mundo perdido / Deus lá de cima está vendo.


Na terra tanta maldade / Permite que aconteça / Uma grande mortandade / Pra esse povo perdido / Devassado e corrompido / Se acabar mais da metade; / Está aí o exemplo / Da AIDS com seu efeito / Se espalhando no mundo / Matando a torto e a direito / Diz o rádio e a imprensa / Que essa infernal doença / Não há médico que dê jeito.

 

Os maiores cientistas / Estão tentando descobrir / Um remédio para a AIDS / Parar ou diminuir / Mil esforços estão fazendo / E cada estão vendo / A doença progredir / Testes com milhões de plantas / Fazem nos laboratórios / Sangue e peles de animais / Mas são testes provisórios / Depois de analisados / Não acharam resultados / De cunhos satisfatórios

 

Estão firmes no propósito / De descobrir num segundo / Uma droga positiva / Que tenha efeito profundo / Enquanto não acontece / A AIDS se estende e cresce / Por toda parte do mundo / E o número de doentes / Todo o dia está crescendo / Uns andando pela rua / Uns em coma outros morrendo.

 

Por aí tem muita gente / Que está em casa doente / De AIDS e nem está sabendo / Quem é rico gasta muito / Pra mais uns dias viver / Tomando remédios caros / Mas o pobre sem poder / Fica gemendo e chorando / Lá numa cama esperando / Só a hora de morrer.

 

Se descobrirem um remédio / Que cure com resultado / Quem compra é capitalista / Milionário e potentado / Só cura o doente nobre / E o miserável do pobre / Tem é que morrer lascado / É como diz a piada / Do humorista jocoso / Na terra vale quem tem / Por ser rico e poderoso.

 

E diz quando se sacode / Rico vive porque pode / Pobre vive de teimoso / Já dei minha opinião / Ao leitor que me entender / Zombar de ninguém não quero / Uma coisa eu quis dizer / Lembre meu leitor amado / Aquele velho ditado / O pobre vem pra sofrer