CORDEL - Constantino Cartaxo - MUIÉ PEQUENA

MUIÉ PEQUENA

Constantino Cartaxo

 

http://fernandod.com.br/images/textos/MUIE%20PEQUENA.jpgApois bem, solta no mundo /  tem muié de todo jeito. / Tem muié baixa, bem alta, / magra, de corpo perfeito. / Tem muié preta, bem branca, / tem calma, tem impigente, /  tem muié qui ném pimenta / das malaguetas que arde. / Tem muita muié decente./  Tem muita muié covarde.

 

Umas de cara esquisita, / com rosto cheio de espinha. / Tem tanta muié bonita, / tão linda quando caminha... / (Santo Deus, que formosura!...) / quage torando a cintura, / enchendo a vista da gente, / passando por nossa frente, / com seu corpo balançando, / mexendo, se rebolando, / qui nem cobra em terra quente.

 

Muié gorda, arredondada, /  com a cintura de barrica. / Muié de espinha entortada / qui sei lá cumo é que fica!.../ cum jeito bem diferente, / cuns quartos bem pracolá, / num sei cuma não se cansa. / Tem muita  muié valente, / mas, também, tem muié mansa / qui não custou se amansá.

 

Um dia, meus camarada / danaram-se a perguntar, / me indagando bem depressa / como era minha muié. / Eu passei a lhes contá, / falando bem direitinho, / do jeitim qui pra mim é.

 

Pra mim é muito bonita. / É dessas femea introncada, / dessas muié torniada, / toda bem acabadinha. / Um pouco loura, bacana, / cabelos qui nem cigana, / bem baixa, pequenininha.

 

Quando eu falei que ela é baixa, / (Ainda me lembro, tô vendo...) / um gaiato disse  “puxa! / Toda muié desse tipo, / é braba qui só o cão!” / Eu fui logo arrespondendo,  / falando em cima da bucha, / com muita satisfação:

 

Pode ser braba prus outro. / Pra mim braba ela né não... / pois eu,  cum esse corpão, / eu me munto nela em osso, / enrolado em seu pescoço... / e nunca caí no chão!