GUERREIRAS E OPERÁRIAS

GUERREIRAS E OPERÁRIAS

Nascidas para o trabalho

 

http://fernandod.com.br/images/textos/GUERREIRAS%20E%20OPERARIAS.jpgEm alguma época, nos primórdios do mundo, as térmites, ou cupins, evoluíram e cultivaram seu estilo de vida em comum. Todos os numerosos membros de suas comunidades descendem de uma única rainha e são interdependentes.

 

Os operários, que trabalham carregando alimentos, são cegos e estéreis, enquanto os soldados, que protegem os ninhos e seus companheiros trabalhadores, desenvolveram mandíbulas tão grandes que precisam ser alimentados por estes;

 

Em algumas espécies essas mandíbulas cortantes podem rasgar a cabeça de algum inseto intruso; em outras, elas se entrechocam para causar forte impacto. Mas também podem não ser usadas como arma específica: nesse caso, os soldados juntam suas cabeças grandes, bloqueando dessa forma as galerias dos ninhos contra os invasores.

 

As armas mais evoluídas são usadas pela casta de soldados dos cupins nasute de nariz longo, que têm ninhos nas árvores. Em vez de mandíbulas em forma de foice, possuem um bico oco através do qual soltam um jato químico ácido que se torna viscoso quando exposto ao ar, uma armadilha letal contra os insetos voadores. Na ilustração acima, um desses cupins em posição de luta. Seu papel é defensivo, assim como o da formiga soldado, que protege suas companheiras operárias quando estão caçando.

 

Como as abelhas e as formigas, o cupim é gregário. Organizou-se em uma sociedade de castas, com base na função que cada indivíduo desempenha, como buscar alimento, reprodução, botar ovos, defender o ninho, e outras. Embora tenham forma de vida semelhante, os cupins e as formigas não são da mesma família. Mas algumas espécies de formigas, especialmente as da África e as legionárias da América tropical, também possuem castas de soldados. Com mandíbulas de tesouras, as operárias atacam e desmembram qualquer coisa ou animal que encontram e, depois levam os fragmentos para alimentar a comunidade.

 

http://fernandod.com.br/images/textos/GUERREIRAS%20E%20OPERARIAS%202.jpgEm certa noite quente de verão surgem brechas no alto dos cupinzeiros africanos. Dos buracos saem centenas ou até milhares de cupins gordos e com asas transparentes que lhes servem para um único vôo.

 

Esse enxame é formado por machos e por fêmeas da casta real ou reprodutiva, os únicos cupins que desenvolvem asas. Eles têm um vôo de curta duração, e embora subam cerca de 60 metros no ar, não se afastam mais que 250 metros do cupinzeiro.

 

Assim que caem no chão livram-se das asas como se fossem pára-quedistas, pois não precisam mais delas. Os machos procuram companheiras, e nesse momento todos correm extremo perigo, pois até mesmo criaturas que normalmente não os comeriam – aranhas, musaranhos, lagartos, pássaros e até mesmo tribos indígenas locais – fazem um festival com eles.

Poucos casais sobrevivem, mas os que conseguem procuram um lugar no chão ou num tronco podre para fazer um ninho e cavar a câmara de acasalamento.. Essa câmara é forrada de madeira picada misturada com saliva e gotas de chuva e, quando terminada, os cupins encerram-se nela.

 

Ao contrário da rainha do formigueiro, que se acasala uma vez só e nunca mais vê o companheiro, a rainha dos cupins vive com o rei, pois precisa ser fecundada periodicamente. Ela pode pôr alguns milhares de ovos diariamente, e fará isso até criar uma colônia que ao longo dos anos chegará a milhões de indivíduos.

 

http://fernandod.com.br/images/textos/GUERREIRAS%20E%20OPERARIAS%203.jpgEsses ovos têm 3mm de comprimento e ficam incubados por duas semanas, cuidados pelos cupins-operários. Dependendo da espécie a que pertença,.o casal real transita livremente no ninho ou permanece confinado em uma câmara real, de onde jamais sairá. Na ilustração, uma rainha com seu tamanho bem aumentado porque acumula dentro do corpo milhares de ovos em desenvolvimento.   

 

Quando nascem, os cupins já se apresentam com a mesma forma do inseto adulto e o crescimento se dá por sucessivas trocas de pele. A maioria de sua prole será formada por operárias estéreis (tanto os machos como as fêmeas). Elas buscam comida - plantas e fibras de madeira – e constroem e consertam o cupinzeiro onde se abrigam, que chega, às vezes,  a 9 metros de altura. Suas tarefas incluem alimentar e cuidar do casal real, como também da casta de soldados que guardam o ninho.

 

Em relação à longevidade, o rei e a rainha podem viver até 30 anos. A colônia como um todo, no entanto, pode permanecer em atividade para sempre, uma vez que se o rei ou a rainha morrerem ou adoecerem, serão prontamente substituídos pelos reprodutores de substituição, que se encarregarão das funções de fecundação (do rei), ou da postura de ovos (da rainha).

 

Fonte: Segredos do Mundo Animal