NATAL, PRESENTES DE
Houve em Mira, antiga cidade da Lícia, na Ásia Menor (território hoje pertencente à Síria e ao Irã), um bispo chamado Nicolau. Santo padroeiro dos marinheiros, dos ladrões, das virgens e das crianças.
Ele é muito popular nas igrejas grega e romana, e deve sua posição de Santa Claus - expressão correspondente a Papai Noel, no Brasil, e que é uma corruptela do holandês Sant Nikolaus. à lenda de que um nobre empobrecido, e por isso sem condição de dar às suas três filhas o dote de casamento, estava em vias de obrigá-las a ganhar a vida como prostitutas, Para evitar que isso acontecesse, em três noites seguidas São Nicolau jogou por uma das janelas, para o interior da casa onde elas moravam, uma bolsa cheia de ouro, garantindo assim o matrimônio das moças já conformadas com o destino que as aguardava.
Deste incidente lendário é que se teria originado o hábito da colocação de presentes nos sapatos, ou meias das crianças, na véspera do dia de São Nicolau - cujo festival é celebrado em 6 de dezembro - atribuindo a Santo Claus (ou Papai Noel) a autoria da doação de tudo o que foi entregue aos presenteados. O saco de presentes deste último é uma extensão das três bolsas cheias de ouro, e o hábito de agradar as crianças e os adultos com oferendas e mimos, foi transferido, em vários países, para a véspera do Natal.
De São Nicolau diz-se também que de outras feitas ele costumava descer do céu para levar bolsas cheias de ouro às famílias pobres, atirando-as pela boca das chaminés. Segundo relatos antigos, certa vez uma dessas bolsas cheias de ouro desceu pela chaminé, rolou pelo chão, no interior da casa, e entrou na meia de alguém que ocasionalmente a havia deixado junto à lareira, talvez para secar. Desse imprevisto se originou a idéia de que São Nicolau é o santo dos presentes, surgindo daí o costume de meias serem dependuradas junto às lareiras, ou mesmo nas paredes da sala ou outro cômodo da casa, na véspera do Natal, para o recebimento dos presentes.
No começo, os latinos e os gregos adquiriram o costume de homenagear a memória de São Nicolau dando presentes no dia 6 de dezembro, enquanto os italianos preferiram o dia 9 de maio para fazer a mesma coisa, porque foi nessa data que se transladou o corpo do santo para Bari, e que também se iniciou a escavação dos alicerces para construção da basílica do mesmo nome. O rei Henrique VII, da Inglaterra, que viveu de 1457 a 1509, considerando que não havia dia certo, universalmente aceito, para a oferta de presentes, determinou que se estabelecesse a véspera de Natal para essa prática, por ser a festa natalina considerada por todos um sinônimo de amor e paz.
A rainha Isabel I, conhecida como Elizabeth I, que reinou na Inglaterra de 1558 a 1603, foi uma trágica soberana solteirona que incluiu entre seus hábitos estranhos uma antipatia declarada pela compra de vestidos, preferindo recebê-los como presentes ofertados pelos membros de sua corte. Sendo assim, ela só renovava o seu guarda-roupa uma vez por ano, na época do Natal. Como eram muitos os que lhe ofereciam agrados e dádivas de toda ordem, entre eles o arcebispo de Canterbury - que sempre colocava em suas mãos uma bolsa contendo certa quantidade de moedas de ouro -, a rainha determinou que ao invés de lhes serem entregues pessoalmente, as oferendas, fossem depositadas ao pé da árvore de Natal. Foi assim que se originou o costume dos presentes na véspera do Natal, e também o costume deles serem colocados ao pé da Árvore do Menino Jesus.
Foram os holandeses que transferiram para as Américas o culto da Árvore de Natal, com a soma de tradições que se havia acumulado na Europa Ocidental, ao longo dos séculos.