ASSÉDIO SEXUAL, O
O senhor Jonas Buchrys, secretário de determinada agremiação partidária gaúcha, foi acusado por seus colegas dirigentes de ter assediado sexualmente uma moça menor de idade que colaborara com o partido em recente campanha estadual. Esgotadas a confusão e o falatório que a ocorrência provocou entre os militantes do grupo político, o fato deveria ter caído naturalmente no esquecimento, caso não estivesse ocorrendo no mundo inteiro um aumento no número de reclamações judiciais por molestamento com objetivos libidinosos.
O assunto põe em evidência algumas perguntas com respostas difíceis de serem encontradas. O que caracteriza o assédio sexual por parte do homem ou da mulher? A partir de que momento a cantada, a insinuação ou a aproximação com segundas intenções, deixam de ser naturais e espontâneas, próprias do instinto de macho e fêmea que todos temos dentro de nós e a que damos o nome de desejo carnal, de libido? Em qual ponto o assédio normal passa a ser encarado como perseguição, como importunação, incomodando e provocando constrangimento à pessoa assediada?
A definição é problemática, já que envolve conceitos absolutamente subjetivos: o que é bom para Maria é ruim para a Ritinha, ou o que é agradável para alguém pode ser extremamente desagradável para outros. Suponhamos que determinada mulher vá caminhando tranqüilamente pelas ruas, exibindo vaidosa todas as belezas físicas com que foi presenteada pela natureza. Acerca-se dela um homem jovem e com pinta de galã, que lhe dirige em voz baixa algum gracejo ou convite. Ela continua caminhando, mas demonstrando no meio sorriso ou no brilho do olhar, a satisfação por ter sido reconhecida como bonita e gostosa, como diz a música. Porém, na esquina seguinte se aproxima dela um outro homem que não é novo, não é bonito e nem tem pinta de galã, dirigindo-lhe as mesmas palavras ditas pelo anterior. É bem provável que nessa segunda hipótese vejamos surgir mais uma vítima do propalado assédio sexual com fins inconfessáveis.
Como vocês podem observar, a determinação do que é ou não é importuno caminha pela estrada larga da capacidade de aceitação que cada um traz consigo, e que varia conforme a personalidade, a índole e até mesmo o momento vivido. Se eu chego para Joana e digo que ela é uma coisa do outro mundo, a nora que minha mãe sempre desejou, a cantada primária pode ser aceita por ela com prazer, mas já a Maria das Dores, que não pensa da mesma forma, é bem capaz de me mandar para aquele lugar. De mais a mais, eu e vocês devemos levar em consideração o que o meu compadre João está afirmando com veemência aqui ao meu lado.
Diz o meu amigo que quem não se comunica, se estrumbica, que a base do relacionamento humano é a comunicação de qualquer tipo. Nós nos expressamos através de palavras, de gestos, ou com o olhar, mas o importante e essencial é que agimos dessa forma para que os outros tomem conhecimento dos nossos desejos e das nossas vontades. Ter desejo pelo sexo oposto é uma necessidade fisiológica dos homens e das mulheres, e por isso deve ser encarada como sadia e natural. E afinal de contas, completa o meu dileto e inseparável companheiro, se você não encontrar uma forma de dizer à mulher desejada que está querendo fazer um programinha legal com ela, como é que ela vai ficar sabendo?
23/06/1995
25/06/95