MATARAM LEONARDO PAREJA

MATARAM LEONARDO PAREJA

 

http://fernandod.com.br/images/textos/MATARAM%20LEONARDO%20PAREJA.jpgLeonardo Pareja foi assassinado por companheiros de prisão no dia 09 do mês passado, mas acredito que isso não tenha causado surpresa a quem quer que seja, já que a morte violenta é o destino presumido de todos os malfeitores que andam por aí, azucrinando e atormentando a vida dos outros.

 

Também não deve provocar espanto nenhum a atitude do presidente de uma determinada organização que se intitula defensora dos direitos humanos, colocando sobre o caixão do bandido morto uma bandeira do Brasil, e justificando sua atitude com a afirmativa de que Pareja era “a voz dos encarcerados”.

 

Não sei se minha incompreensão quanto a certas coisas que estão acontecendo por aí, é conseqüência da ranhetice própria da idade mais para lá do que para cá - porque burro eu nunca fui - ou se o problema é do povo mais novo, mesmo, que se deixa enganar inocentemente por usos, costumes e pensamentos tão estúpidos quanto perniciosos, aquela velha história de que o pior cego é aquele que não quer ver.

 

Leonardo Pareja foi um bandido, um criminoso, um inimigo da gente de bem, mas há necessidade de que se faça algum barulho em torno do que lhe aconteceu porque isso traz publicidade, e a publicidade, o movimento e o disse-me-disse são precisos para que as ajudas financeiras continuem chegando lá de fora, mantendo no bem-bom os espertinhos que vivem às custas da crendice dos crédulos, dos idiotas, e colaborando para que a má fama continue a ser o destaque negativo de nossa terra, em outros lugares.

 

A pergunta que deveria ser feita aos nossos “abnegados” defensores dos direitos humanos, tem relação direta com os homens, mulheres e crianças que perdem tudo, mas tudo mesmo, quando morrem bestamente nas mãos dessas feras que andam por aí cometendo atrocidades e depois exigindo regalias, como se o tempo de prisão pelos crimes hediondos que cometeram fosse uma tranqüila e repousante temporada de férias. 

Qual a indenização que deve ser paga ao fantasma de um coitado que foi embora sem querer, só porque o bandidão tinha amanhecido o seu dia com a avó atrás do toco? Ou como devem ser confortados pai e mãe que vêm seu filho ter a vida desgraçada por um malandrão de correntinha de ouro no pescoço, brinquinho na orelha e moral nenhuma na cabeça, mas que quer viver como um potentado oriental, desfrutando sem qualquer esforço do bom e do melhor, às custas da perdição alheia?

 

Cantar o hino nacional como homenagem póstuma a um Pareja da vida, não é bem uma piada de péssimo gosto: é uma bofetada na cara de cidadãos como nós, que nos vemos obrigados a conviver com pessoas iguais a esse malandríssimo presidente da  associação que  emporcalhou a bandeira  nacional quando pretendeu transformá-la em mortalha de um celerado que já foi tarde, graças a Deus.

 

 15/01/1997.