ARMADURA DE ESPINHOS

Costas cobertas de espinhos afiados protegem o équidna (na ilustração ao lado), um mamífero australiano do tamanho de um coelho, conhecido como équidna-ouriço. Se ele for perturbado enquanto estiver caçando, enterra-se no solo e deixa de fora uma pequena floresta de espinhos pontiagudos, ficando assim até o intruso partir e o perigo passar.

 

O ouriço-cacheiro comum eurasiano tem mais de cinco mil espinhos afiados, de 20 a 30 centímetros de comprimento, mas os de seus filhotes só despontam poucas horas depois do nascimento porque foram desenvolvidos debaixo da pele, para proteger o útero da mãe. Quando ameaçado esse animal costuma enfrentar o atacante levantando a camada de espinhos que normalmente fica deitada sobre suas costas, ao mesmo tempo em que se enrola como uma bola graças aos fortes músculos das costas. Quanto mais firme ele se enrolar, mais eretos ficam os espinhos. Algumas espécies, no entanto, são menos passivas que outras e enfiam os espinhos no focinho do atacante que se aproximar, enfatizando a mensagem de alerta.

 

Os porcos-espinhos da Índia, África e Américas podem pesar até oito quilos e poderiam ser uma boa refeição para qualquer um dos felinos maiores. No entanto, caso um desses predadores tente molestá-lo, ele levanta os afiados espinhos das costas e da cauda. Caso isso não seja suficiente para amedrontar o atacante, ele avança de costas, chacoalhando-os. Esses espinhos soltam-se facilmente do seu corpo, mas suas farpas não saem com facilidade quando enterradas na carne de outra criatura, e a ferida que causam pode ficar fatalmente infeccionada.

 

O peixe-porco-espinho - também conhecido como baiacu-coroa-de-espinhos - é coberto de espinhas afiadas que normalmente ficam deitadas nas suas laterais, mas quando ele é ameaçado imediatamente engole água e infla o corpo até ficar quase esférico. Quando o corpo incha, os espinhos ficam eretos, apontando para fora, transformando-o em uma bola espinhosa que parece impossível de engolir.

 

Já o peixe-caixa espinhoso (na ilustração acima) mantém seus espinhos eretos, o tempo todo. Ele também aumenta de tamanho, inchando até parecer uma abóbora espinhosa, e por isso os predadores em potencial acabam achando que ele é impossível de ser engolido.

 

O belo peixe-leão tem um ar elegante, mas é mortífero em um encontro. Suas longas e graciosas espinhas ocas contêm veneno e funcionam como seringas hipodérmicas. Ao contrário do peixe-porco-espinho e do peixe-caixa, ele usa sua armadura para defender-se de forma ativa, não apenas como um alerta passivo. O predador que dele se afastar estará agindo sabiamente.

 

Na água doce, o esgana-gata de três esporões, do comprimento de um dedo, é protegido das grandes trutas famintas por suas espinhas que se grudam na garganta das atacantes, e por isso elas têm dificuldade de engoli-lo. Experiências em um mesmo tanque demonstraram que os predadores preferem comer barrigudinhos lisos, do que esgana-gatas espinhosos.

 

Se feiúra fosse suficiente para amedrontar predadores, o weta gigante da Nova Zelândia certamente não seria molestado. Esse imenso grilo de arbusto há muito tempo é conhecido na mitologia dos maoris (nativos daquela ilha) como wetapunga, ou Coisa Horrorosa. Suas patas traseiras têm o dobro do comprimento do corpo de 10mm, e são cobertas de espinhos semelhantes aos das rosas, que arranham dolorosamente o agressor. A maior parte dos grilos chama seus iguais roçando as asas, mas como o weta gigante não tem asas, provavelmente ele não faz qualquer ruído. Hoje em dia esses grilos são protegidos na Nova Zelândia, pois estão ameaçados de extinção pelos descendentes dos ratos que chegaram às ilhas há séculos, trazidos por viajantes europeus. Mas os espinhos do weta não foram suficientes para protegê-los dos roedores.

 

Algumas espécies de insetos cascudos têm um grande gancho no meio das costas, para afastar pássaros caçadores. Devido a esse espinho, o inseto tem que ser desmantelado antes de servir como refeição, um inconveniente que pode levar o predador a procurar uma refeição mais fácil.

 

Há muitas espécies de lagartos que desenvolveram pontas afiadas nas resistentes escamas que recobrem sua pele. O lagarto-dragão barbudo da Austrália, por exemplo, infla a pele da garganta que, assim como o seu corpo, se eriça com espinhos, e estica as costelas para parecer muito maior e assustar seus atacantes. O lagarto-dragão chega a investir contra o intruso, caso seja molestado quando está caçando na beira da estrada.

 

Os lagartos-tatus da África e de Madagascar pertencem a uma família que desenvolveu armadura protetora formada por escamas terminadas em ponta fina, embora pequenas. A maior parte dessa família usa os espinhos da cauda para bloquear a entrada de suas tocas, além de imitar os lagartos na hora do perigo: eles se deitam de costas e, segurando o rabo espinhoso com a boca, mostram apenas sua superfície resistente e pontuda para o agressor – um círculo de espinhos afiados demais para serem agarrados por um animal caçador.

 

Fonte: Segredos do Mundo Animal