SERRA DO SINCORÁ - Bahia

SERRA DO SINCORÁ

Bahia

 

http://fernandod.com.br/images/textos/SERRA%20DO%20SINCORA%201.jpgParte integrante da Chapada Diamantina e situada na região central do estado da Bahia, a Serra do Sincorá é uma cadeia de montanhas de grandes belezas naturais, entre elas os morros do Pai Inácio, do Camelo e do Morrão.

 

E também de belezas humanas, como as históricas cidades de Mucugê, fundada em fins do século 18, e de Lençóis, surgida em meados do século 19.  Ambas guardando em seus casarões coloniais de estilo português, além de muitas lembranças da época em que suas economias giravam em torno mineração do ouro e do diamante.

 

Distante 400 quilômetros de Salvador, capital baiana, a Serra do Sincorá está situada do lado oeste e ao centro da Chapada Diamantina, projetando-se do sul, na vila de Sincorá Velho, até o povoado de Afrânio Peixoto, em Lençóis. Com 80 quilômetros de extensão, ela é formada por um conjunto de serras de menor extensão, separadas por desfiladeiros. Entre essas serras incluem-se as de Cravada, do Sobrado, do Lapão, do Veneno, do Roncador ou Garapa, do Esbarrancado, do Rio Preto e outras, com altura média de 800 metros e máxima de 2.000 metros.

 

http://fernandod.com.br/images/textos/SERRA%20DO%20SINCORA%202.jpgDe grande beleza paisagística devido às montanhas que deixam expostos seus vales profundos de encostas íngremes e amplas chapadas, a Serra do Sincorá é cortada por alguns rios.  O mais importante deles é o rio Paraguaçu, que atravessa a serra desde a localidade de Comércio de Fora e a deixa na localidade de Passagem de Andaraí, formando a cachoeira de Donana, daí prosseguindo em busca do oceano Atlântico, na baía de Todos os Santos. Os outros cursos d’água são o Sincorá, que dá nome à serra, o Mucugezinho, o Antônio e o Combucas, onde podem ser encontradas cachoeiras de maior e menor tamanho (na ilustração acima, morro do Pai Inácio).

 

A Serra do Sincorá também abriga, ao longo de sua extensão, as cidades, de Andaraí, com 13.960 habitantes, segundo o Censo de 2010; Lençóis, com 10.368 habitantes; Mucugê, com 10.545 habitantes; e Mundo Novo, com 24.395 habitantes, além de povoados como o de Igatu.

 

O Parque Nacional da Chapada Diamantina foi criado em 1985 pelo Decreto Nacional 91.655, visando a preservação das belezas cênicas do local e conservação das suas nascentes, com destaque para o principal rio baiano, o Paraguaçu, que fornece água potável para 60% dos moradores da capital baiana. Mas a administração de Mucugê, o mais populoso dos seus municípios, implantou paralelamente o Projeto Sempre Viva, uma iniciativa que tem como objetivo a preservação da sempre-viva, uma flor típica da Chapada e que se encontra ameaçada de extinção. E ainda o Museu Vivo do Garimpo, que através do que se encontra exposto conta a história da extração de diamantes na região.

 

http://fernandod.com.br/images/textos/SERRA%20DO%20SINCORA%203.jpgA Serra do Sincorá foi o núcleo central da exploração diamantina, em corrida que começou na década de 1840 atraindo dezenas de milhares de esperançosos garimpeiros em busca de diamantes que enxurradas e inundações haviam levado aos leitos dos rios.

 

No ano de 1844 essas pedras valiosas foram descobertas na região de Mucugê, e a partir de então toda essa região da serra foi explorada por faiscadores chegados de um sem número de lugares, que procuraram diamantes desde o rio Sincorá, ao sul, até a região de Afrânio Peixoto, ao norte. Comenta-se que na serra a fonte dos diamantes ainda é amplamente discutida, sabendo-se apenas que eles vieram do leste, mas sem definição do local exato

 

Após uma fase áurea de 25 anos, aproximadamente, a garimpagem de diamantes entrou em declínio a partir de 1871. Já no século 20, década de 80, foram feitas diversas tentativas de mecanização dos garimpos, com instalação de equipamentos nos leitos dos rios, dentro e fora do Parque Nacional. Estes garimpos foram fechados definitivamente em março de 1996, graças à ação conjunta de diversas autoridades ligadas à mineração e ao meio ambiente,

 

Mesmo após 150 anos de exploração dos aluviões diamantíferos, ainda existe garimpagem manual na serra do Sincorá, embora em ritmo bem mais lento devido à exaustão e decadência das lavras. Mas como a esperança é a última que morre...