VACA PELUDA DA ESCÓCIA
A Escócia é um país que ocupa a região norte da ilha da Grã-Bretanha, constituindo com três outras nações - Inglaterra, Irlanda da Norte e País de Gales - uma união política conhecida como Reino Unido.
Nele existe uma raça bovina com algumas características físicas diferentes das de outras variedades desse mesmo grupo familiar. Seus representantes têm estatura pequena - as fêmeas medem em torno de 1,10m de altura e os machos um pouco mais, cerca de 1,30m; O peso médio é de 450 e 650 quilos, respectivamente. Os chifres são encurvados, a franja longa pendente sobre os olhos, além de pelagem densa e desgrenhada cobrindo o corpo robusto -
Essa raça é uma das mais antigas que se conhece, e há séculos vem resistindo ao clima severo das Terras Altas e ilhas da Escócia. Originalmente, as que pastavam nas distantes Terras Altas, zona montanhosa do norte escocês, eram de tamanho maior e pelagem vermelha, ao contrário das encontradas nas ilhas da costa oeste, de tamanho menor e cor preta. Hoje, embora existam vacas escocesas de várias cores – vermelho, preto, marrom-claro, amarelo e esbranquiçado, todas são consideradas como pertencentes a apenas uma raça.
Essas vacas têm uma franja grande e até certo ponto engraçada, mas que apesar disso desempenha papel muito importante no dia-a-dia de cada uma: durante a estação de inverno lhes protege os olhos do vento forte, da chuva fria e da neve quase constante. Já no verão, a proteção é contra os insetos que poderiam causar algum tipo de infecção; Antigamente, e antes do anoitecer, vaqueiros e arrendatários rurais levavam seu gado para abrigos feitos de pedra, e se assim faziam era para proteger seus animais do clima severo e dos lobos predadores..
A raça dessa vaca escocesa é a única que tem uma camada dupla de pêlo lhe cobrindo o corpo. A externa, ou superiora, é desgrenhada e de fios longos que às vezes passam de trinta centímetros de comprimento. Ela é bem oleosa e protege bem o animal da chuva e da neve. Já a interna é macia, lanosa e mantém o animal suficientemente aquecido. Graças à essa pelagem especial, a vaca escocesa se adapta bem ao terreno montanhoso castigado por chuvas fortes e ventos congeladores, onde nenhuma outra raça de gado consegue sobreviver.
Mas se o tempo se torna quente no verão, esse animal adaptável perde sua pesada pelagem. Depois, quando o clima volta a ficar frio e úmido, ele cria uma nova capa de pêlos protetores, e assim sobrevive sem maiores problemas..
Mas a dupla camada de pêlos da vaca escocesa oferece ainda outra grande vantagem aos fazendeiros que as criam. Visto que esse animal não precisa de uma camada externa de gordura para se manter aquecido, sua carne tem menos colesterol e mais proteína e ferro do que outras raças. Sem que, para isso, haja a necessidade de que rações caras sejam usadas em sua alimentação.
As vacas peludas da Escócia sempre conviveram de perto com a espécie humana. Há muitos séculos, durante a noite, os escoceses as mantinham no andar de baixo da casa onde moravam, pois a emanação do calor corporal desses animais, em ambiente fechado, ajudava a aumentar a temperatura no andar superior, onde a família ficava.
Embora o gado doméstico seja calmo e dócil, a vaca escocesa às vezes pode ser perigosa. Um exemplo disso é quando ela está com um filhote. Também é preciso tomar cuidado para não andar no meio de uma manada, ou ao redor dela.
Por causa da versatilidade dessa raça, ela é criada em várias partes do mundo, podendo ser encontrada até mesmo no Alasca, na Escandinávia e a 3 mil metros de altitude, na cordilheira dos Andes. Mas ela também se adapta a climas mais quentes.
Além do seu lindo e inconfundível gado; a Escócia também é conhecida por seu tecido xadrez, gaita de foles e o kilt, um saiote masculino, pregueado na parte de trás, trespassado na parte da frente, de comprimento da cintura até aos joelhos e que dispensa o uso da cueca. Era o traje tradicionalmente feito de tecido de lã, típico de homens e jovens das montanhas escocesas do Séc. 16, e desde o século 19 está associado a toda a cultura escocesa e com a herança da cultura celta. Acredita-se que o primeiro kilt é datado de 2000 a.C. e foi encontrado perto da região de Nuremberg, na Baviera, trazido pelos celtas.
Fonte: Revista Despertai – edição de dezembro de 2012