CANANEUS
Guerras, invasões estrangeiras e lutas sanguinárias marcam a história dos cananeus, povo bíblico cujo derradeiro conflito foi travado contra os israelitas, que os assimilaram quando da ocupação da Terra Prometida.
O nome cananeu deriva de Canaã, um dos filhos de Cam, filho de Noé. Esta descendência lhes foi atribuída por sua grande dependência política em relação aos egípcios camitas. No entanto, sabe-se que a maioria dos habitantes de Canaã – Palestina e Fenícia – era formada por semitas imigrados em diversos períodos, provavelmente entre o 4º e 2º milênios anteriores ao nascimento de Cristo.
Como os cananeus da Fenícia ficaram geograficamente separados dos palestinos, tiveram uma evolução histórica e política diversa da dos habitantes da planície e do vale do Jordão. No Velho Testamento, as palavras Canaã e cananeus têm um sentido bastante amplo, designando a Palestina e as populações pré-israelíticas que a habitavam.
Apenas recentemente começou-se a estudar a história dos cananeus, sobretudo a partir do material arqueológico obtido em escavações realizadas na Palestina. Para completar essas informações, foram utilizados vários documentos escritos, entre os quais se destacam as cartas de Tell-al-Amarna – correspondência dos faraós Amenófis III e IV com os reis e governadores da Síria e da Palestina, toda feita em escrita cuneiforme e em termos acadianos – e a própria Bíblia.
Durante os períodos proto-histórico e pré-histórico, Canaã teria sido habitada por povos não semitas. Por volta de 3.800 a.C. ocorreu a primeira imigração semítica, mas desde essa época o Egito empreendia várias manobras militares na região, que lhe permitiriam subjugar a Palestina meridional.
No século 20 a.C., a terra dos cananeus foi invadida por outro grupo semítico proveniente do norte da Mesopotâmia, No século 18a.C.; há uma nova invasão, desta vez dos hicsos que ocupam militarmente a região, dirigindo-se, a seguir, para o Egito. No decorrer de todas essas lutas vai se enfraquecendo, gradativamente, o domínio egípcio na Palestina. Finalmente, quando os israelitas invadem Canaã, entre os séculos 15 e 12 a,C., ali encontram uma fraca dominação do Egito, e um povo cananeu desunido, habitando várias cidades independentes que foram tenazmente combatidas. Os judeus só não conquistaram as cidades da planície (Geser e Don), mais bem treinadas para a guerra, providas de carros de ferro, fortificadas e bem armadas contra o inimigo.
Pouco a pouco os cananeus foram absorvidos e assimilados pelos israelitas. Davi conquistou Jerusalém, dela fazendo a capital de seu reino. Durante o reinado de Salomão, as grandes cidades cananéias tornaram-se sedes de governos israelitas. Terminava a importância política dos cananeus. Entretanto, sua influência cultural fez-se sentir durante séculos em Israel.
O aspecto mais característico da complexa civilização cananéia era seu gênio prático: pouco dotados para as artes plásticas, eram, no entanto, hábeis comerciantes, e em função disso aperfeiçoaram e propagaram a escrita alfabética. Povo basicamente urbano, eles sustentavam guerras para defender suas cidades. Mas não constituíam uma nação politicamente unida, pois cada cidade sujeitava-se a um rei, que se aliava aos demais em caso de ataques inimigos. Extremamente belicosos, os cacaneus enfraqueceram-se pelas lutas constantes.
Segundo a religião que praticavam (politeísta), seus deuses só eram acalmados através de ritos sangrentos, devassos e licenciosos: a prática de sacrifícios humanos, principalmente com crianças, era bastante comum. Inicialmente, o deus supremo teria sido El, depois substituído por Baal (na ilustração) e sua consorte Astarte, deusa da guerra e da fecundidade. Baal, simbolizado pelo touro, mas frequentemente representado por uma estrela de pedra, era o deus da guerra, do céu e, como tal, deus da vegetação, da tempestade e da chuva.
Esses deuses também se transformavam em divindades políticas: senhores dominadores e às vezes injustos, sempre relacionados com os fenômenos naturais. Os cultos realizavam-se em templos, incluindo o ritual dos mortos (que eram enterrados com seus objetos de uso cotidiano).
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