AMBULOCETUS NATANS - Ancestral das baleias

AMBULOCETUS NATANS

Ancestral das baleias

 

 http://fernandod.com.br/images/textos/AMBULOCETUS%20NATANS%201.jpgCharles Darwin (1809-1882), naturalista inglês, desenvolveu uma teoria evolutiva (teoria da seleção natural), segundo a qual os organismos mais bem adaptados ao meio têm maiores chances de sobrevivência do que os menos adaptados.

 

No passado distante foram essas variações que deram a tais organismos a chance de deixar descendentes cada vez melhor preparados para enfrentar a luta pela preservação da vida, o que não deveria ser fácil diante da existência dos predadores sempre em busca de alimento. Foi esse processo de seleção natural que ao longo de gerações manteve ou melhorou o grau de adaptação de cada um deles ao meio em que viviam.

 

De acordo com a Teoria da Evolução, o Ambulocetus natans foi um desses animais. Ancestral das baleias e golfinhos modernos, ele viveu durante o Eoceno, período geológico compreendido entre 55 e 36 milhões de anos atrás. Seus restos foram encontrados em sedimentos depositados nas águas quentes do desaparecido Mar de Tetis, na região costeira do continente asiático hoje pertencente ao Paquistão.  Segundo os pesquisadores, na época (45 milhões de anos atrás), ele estava começando a evoluir de animal terrestre para animal aquático porque na água encontrava maiores e melhores condições de sobrevivência.

 

http://fernandod.com.br/images/textos/AMBULOCETUS%20NATANS%202.JPGCom pouco mais de três metros de comprimento (tamanho de um esqueleto quase completo encontrado por paleontólogos) e peso estimado em torno de 350 quilos, o Ambulocetus tinha pescoço longo, grosso e forte, sustentando uma cabeça grande dotada de poderosas mandíbulas. Os membros dianteiros possuíam pulsos e dedos flexíveis, enquanto as pernas traseiras terminavam em pés grandes com dedos interligados por membrana que lhes dava o formato de nadadeiras.

 

Sua cauda longa e robusta funcionava não só como leme quando ele nadava em água doce ou salgada, mas também o ajudava a mover-se nela com a velocidade necessária, principalmente quando precisava afastar-se de qualquer perigo que o ameaçasse. Carnívoro voraz, e provavelmente comedor de peixes, possivelmente também capturava animais terrestres que se aproximassem desatenciosos da beira da água, atacando-os da mesma forma como ainda hoje fazem os crocodilos: afloravam de repente e abocanhavam as presas. Os ambulocetos não tinham orelhas externas, e para detectar animais em terra provavelmente baixavam a cabeça em direção ao chão e sentiam as vibrações.


 O alinhamento da coluna vertebral do Ambulocetus permitia apenas ondulação vertical. Todos os peixes, salamandras, lagartos e cobras movem-se na água ondulando o corpo para os lados, enquanto todos os mamíferos marinhos, incluindo as focas, baleias e golfinhos, se movem na água arqueando o corpo para cima e para baixo. A maioria dos pesquisadores admite a idéia de que o Ambulocetus poderia ter andado em terra, apesar de que, se tivesse feito isso, teria sido de forma lenta e desajeitada.

 

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Mas embora os membros fortes que possuía pudessem agüentar com facilidade o seu peso quando caminhava em terreno seco, ele preferia a água. Nadava como uma lontra, mas matava como um crocodilo, capturando peixes que se aproximavam descuidados ou espreitando pacientemente qualquer presa terrestre à beira da água, emboscando-a pelo tempo necessário, mesmo que fosse de tamanho maior que o seu. Então a mordia com suas presas e a arrastava para o fundo, onde ela morria afogada.   

 

Os olhos de Ambulocetus estavam colocados no alto da cabeça, em posição semelhante à que hoje se observa no hipopótamo, o que lhe permitia olhar para frente e para cima. Isso sugere que este animal inicialmente nadava praticamente submerso, com exceção dos olhos. Mas se caminhasse no fundo de rios e lagos, então a visão do que acontecia na parte mais alta poderia tê-lo ajudado a localizar possíveis presas nadando acima dele sem perceber o perigo que corriam..