ORANGOTANGO

Macaco antropóide (parecido com o homem) que vive nas florestas da Indonésia, tanto na ilha de Sumatra (a sexta maior do mundo, com 45 milhões de habitantes) como na de Bornéu (cuja maior parte é território indonésio, pertencendo o restante à Malásia e Brunei), podendo ser encontrado desde regiões mais baixas, ao nível do mar, até alturas acima de quinhentos metros nas montanhas. Esse animal tem cerca de 1,50m de altura (o que o coloca como a segunda maior espécie de primata do mundo), peso que pode chegar aos cem quilos, cabeça grande, beiços redondos e nariz enterrado entre os olhos.

 

Seu tronco é curto e atarracado, enquanto os braços, muito compridos e com unhas nos dedos, são relativamente maiores que os membros posteriores; as orelhas miúdas, a pele marrom com pêlos de um castanho escuro, ou avermelhado, exceto nos pés, mãos e rosto. As mãos não diferem muito das dos humanos, mas são musculosas e suficientemente fortes para sustentar o corpo do animal a algumas dezenas de metros acima do solo, a mesma capacidade e habilidade que têm os pés, também usados para que o animal possa agarrar-se nos galhos com eles e sustentar-se nas alturas.

 

Para alimentar-se os orangotangos consomem principalmente frutas (especialmente mangas, figos e lichias) que compõem 60% de sua dieta, mas dependendo do momento por que passam também podem garantir seu sustento procurando flores, folhas, mel, ovos, insetos e até mesmo pequenos vertebrados. Por serem animais frutívoros eles exercem papel importante na dispersão de sementes em seu território, acreditando-se, inclusive, que sejam os únicos agentes responsáveis pela continuidade da presença de algumas espécies de plantas. Quanto à água, eles se servem da que fica depositada em folhas, buracos ou reentrâncias do arvoredo. Vivendo quase que exclusivamente no alto das árvores, é lá em cima que esses macacos preparam, com ramos e folhas, os ninhos rudimentares e temporários onde se acomodam em seus momentos de repouso.

 

Os orangotangos são animais que têm por hábito demarcar seus territórios, o que fazem dando fortes gritos cuja finalidade é a de avisar aos outros machos da espécie que aquele pedaço de chão tem dono, e que por isso eles não devem penetrar nele.


Solitários por natureza, os orangotangos machos procuram as fêmeas apenas na época de acasalamento, o que ocorre uma vez por ano, na estação seca. Sua maturidade sexual é alcançada aos sete anos de idade, e a gestação das fêmeas dura de 230 a 260 dias, ao fim dos quais nasce geralmente um filhote (são raros os casos de gêmeos). Elas, por sua vez, gostam de viver em grupos de três ou quatro adultas, acompanhadas de perto pelos filhos (os mais novos costumam agarrar-se aos longos e ásperos pêlos de suas costas). Aos dois meses de idade os jovens dessa espécie já se afastam um pouco das mães para brincar, e não muito tempo depois eles aprendem a pular de galho em galho, assim como fazem os adultos. 

 

Quando em cativeiro a expectativa de vida desses animais pode chegar aos cinqüenta anos, não se sabendo ao certo, porém, por quanto tempo conseguem sobreviver estando em liberdade. Nessa situação, as únicas ocasiões em que foram observados usando ferramentas foi quando quebraram galhos para transformá-los em armas, ou aproveitaram as folhas grandes de certas plantas como guarda-chuvas durante tempestades. Contudo, em cativeiro, o orangotango é tão habilidoso para solucionar problemas quanto seu primo chimpanzé. Ele é capaz de usar um galhinho para cutucar e soltar sementes presas no chão de sua jaula, e também pode resolver muitos dos quebra-cabeças que os psicólogos lhes apresentam.

 

Os orangotangos preferem viver no alto das árvores, locomovendo-se de galho em galho com o emprego alternado das mãos, mas uma não solta o seu ponto de apoio enquanto a outra não estiver segura. Por isso raramente descem de lá do alto para andar no chão, mas quando fazem isso se movimentam curvados para frente, apoiados nos nós das mãos, não obstante possam caminhar na posição ereta, como fazem os humanos.

 

Apesar de não haver grande interesse comercial na caça ao orangotango, a crescente ocupação e desmatamento das áreas florestais de Sumatra e Bornéu, para aproveitamento da madeira, vem aos poucos se transformando em sério problema para a conservação da espécie. Segundo dados divulgados pelas organizações ambientalistas, os orangotangos, na antiguidade, podiam ser encontrados em todo o sudeste asiático, e até mesmo no sul da China, estimando-se que seu número atingia muitas centenas de milhares de animais.

 

Mas essa população decresceu de forma tão assustadora em épocas mais recentes, que hoje pode ser estimada, de forma otimista, em algumas poucas dezenas de milhares, ou até menos que isso. Conforme avaliação feita por pesquisadores da área animal, a população mundial de orangotangos deve corresponder hoje a apenas 7% da existente no início do século 20, tendo diminuído com mais velocidade do início da década de 1990 para cá, quando 50% desses animais presumidamente desapareceram.