PEIXE-LEĆO

A família Scorpaenidae é composta por peixes marinhos que possuem espinhos e veneno, incluindo-se entre eles o peixe-dragão, o peixe-escorpião, o peixe-pedra e o peixe-leão, este último dono de porte elegante, mas mortífero em um encontro, pois suas longas e graciosas espinhas ocas contêm veneno e funcionam como seringas hipodérmicas. Ao contrário dos seus parentes, ele também usa sua armadura espinhenta para defender-se de forma decidida quando atacado, e por isso o predador que dele se afastar estará agindo de forma sábia e prudente.

 

Nativo dos Oceanos Índico e Pacífico, além do Mar Vermelho, embora algumas espécies possam ser encontradas em outras regiões do mundo, o peixe-leão raramente consegue chegar aos 30 centímetros de comprimento (a média é de 20 centímetros), mas apesar de seu tamanho relativamente pequeno é um dos mais venenosos animais marinhos. Também conhecido como peixe-zebra, em virtude de seu visual listrado que inclui as cores vermelha, marrom, laranja, amarela e preta, ou branca, ele possui grandes espinhos espalhados pelo dorso, laterais, peito e região do ânus, cada um deles (com exceção dos peitorais) equipados com glândulas que produzem e armazenam um tipo de veneno cuja potência varia de acordo com o seu tamanho.

 

Nos humanos, além de dor intensa e edema no local ferido, essa substância tóxica também pode causar náuseas, tontura, fraqueza muscular, respiração ofegante e dor de cabeça, chegando, inclusive, a ponto de matar uma pessoa caso a agressão tenha sido feita por um exemplar adulto. Por isso os mergulhadores profissionais e amadores precisam ser cuidadosos para não esbarrar em um deles, porque o peixe-leão, por mimetismo, torna-se praticamente imperceptível em meio aos recifes de corais e costões rochosos, seu habitat preferido. Segundo recomendações médicas de emergência, como socorro imediato aos que foram ofendidos deve-se banhar o local afetado com água quente durante 30/40 minutos, ou até a dor passar.   

 

Esses peixes são predadores noturnos extremamente vorazes, a ponto de pesquisadores já terem observado um exemplar da espécie comendo quase vinte outros peixes pequenos em menos de trinta minutos. Caçadores natos, eles se alimentam de caranguejos, camarões e qualquer peixe que caiba em sua boa avantajada, mas normalmente só os comem vivos. E fazem isso de maneira peculiar: ao localizarem alguma presa, eles a cercam com as nadadeiras e espinhos bem abertos formando uma espécie de barreira, aproximam-se lentamente, como se movidos apenas pela curiosidade, e em seguida, num movimento rápido propiciado pela nadadeira caudal, investem sobre ela, abocanham-na e a engolem inteira.  


A expectativa de vida desses predadores marinhos é de até quinze anos, e seu peso pode chegar a 200 gramas. Ao longo do dia eles habitualmente permanecem abrigados em fendas, buracos ou reentrâncias existentes nos recifes, de onde saem à noite em busca de alimentação. Seu corpo alto, multicolorido e enfeitado por espinhos aparentemente inofensivos, que parecem flutuar ao sabor do movimento das águas marinhas, atrai no mundo inteiro a atenção dos indivíduos que se dedicam à criação de peixes em aquário. E apesar de não ser encontrado no litoral brasileiro, ele é o peixe que provoca o maior número de acidentes em nosso país, especialmente pelo fato de ser muito procurado como peixe ornamental.  

 

Notícias recentes revelam que os cientistas ligados à área de piscicultura estão alertando as autoridades sobre uma variedade desse peixe – o peixe-leão-vermelho – que está devastando a fauna nativa do Caribe, depois de ter escapado de um tanque nos Estados Unidos. Segundo os doutores, essa espécie está se alastrando por toda a região, até mesmo nas áreas mais protegidas, engolindo exemplares de animais típicos daquela área e atacando mergulhadores. Originário do Pacífico e do Índico, esse tipo de peixe não tem predadores em águas caribenhas, e por isso o crescimento de sua população, na opinião de professores da Universidade Estadual do Oregon, “pode se tornar a mais devastadora invasão marinha da história”. Para eles, o que o peixe-leão-vermelho está fazendo naqueles mares “é comparável ao estrago de uma praga de gafanhotos”.

 

A informação jornalística diz ainda que “Para a União Mundial de Conservação, o peixe-leão-vernelho é uma das piores espécies invasoras do mundo. E como os seus exemplares nadam muito fundo, o que impede que sejam apanhados por redes (que é a forma mais comum de lidar com espécies invasoras animais na água), os cientistas estão procurando descobrir o que poderá servir como seu predador: tubarões, enguias, ou até mesmo humanos. Mas embora algumas pessoas garantam que o gosto do peixe não é ruim, os tubarões, em geral, têm se recusado a comê-lo”.