PEIXE-MORCEGO

O peixe-morcego é comum na costa brasileira. De coloração arenosa ou pardacenta, com manchas escuras por toda a parte superior do corpo, mede aproximadamente entre 10 e 15cm, podendo chegar a 35. São geralmente encontrados em águas quentes e rasas de todo o Atlântico americano, embora também possam descer a profundidades maiores, preferindo viver junto às pedras porquê estas lhes oferecem camuflagem perfeita.

 

O Jornal do Commércio, editado na cidade de Recife, Pernambuco, noticiou em 30 de janeiro de 1999 que um peixe com, pernas, asas e chifre ”fora capturado na Praia do Suape, no litoral sul daquela cidade, pelo pescador Flávio Correia de Lacerda, de 20 anos”, que na manhã de 25 do mesmo mês, uma segunda-feira, o havia fisgado com linha e anzol perto dos arrecifes lá existentes. Segundo a publicação, o jovem teria declarado a respeito do animal tirado por ele do mar, que “nunca tinha visto nada igual”.

 

Pesquisando a respeito o jornal procurou a ictiologista Dinalva Guedes, do Departamento de Pesca da Universidade Federal Rural de Pernambuco, que atestou ser o peixe muito diferente, de fato, pois “suas ‘pernas’ são apenas nadadeiras caudais adaptadas para a locomoção no fundo do mar, e o seu ‘chifre’ um prolongamento cartilaginoso do focinho”. Quanto às asas, completou a doutora, “são as nadadeiras peitorais que também sofreram adaptações em função do habitat”.  

 

Complementando sua explanação sobre o estranho peixe, a pesquisadora Dinalva Guedes explicou que ele se alimenta de crustáceos e moluscos, além de algas e peixinhos, e que além de ser observado em tocas, também freqüenta fundos rochosos, de lama, de areia e de algas calcárias. “Apesar de possuir nadadeiras em forma de asas esse peixe se locomove devagar. Um exemplar adulto pode atingir 30 centímetros, no máximo, e pesar até cerca de 500 gramas”.

 

A pesquisadora (que ensina icitiologia, parte da zoologia que estuda os peixes),  lembrou que “a espécie não tem valor econômico, mas como todo animal em seu habitat, exerce uma função ecológica dentro da cadeia alimentar”. E finalizou sua explanação afirmando que “o peixe-morcego é um peixe ósseo. e até agora foi pouco estudado pelos cientistas”.

 

No relato feito sobre o acontecido, o Jornal do Commércio explicou que “a excentricidade do peixe, que parece ser mesmo um morcego, foi o assunto da semana na Praia do Gaibu, onde mora Flávio Lacerda”, tendo provocado, inclusive, opiniões semelhantes à dada por um veranista que se encontrava no local: “Parece um animal pré-histórico que está passando por um longo período de adaptação”. E desejando explicar melhor a afirmação feita, ela exemplificou: “O prolongamento do seu focinho ajuda na procura do alimento, dando mais sensibilidade ao peixe. Isso faz com que ele garanta sua sobrevivência em um ambiente em que ainda está se adaptando”. Quanto a essa possibilidade, a doutora Dinalva esclareceu que o peixe em questão, conhecido como peixe-morcego, trata-se, na verdade, de uma espécie.

 

Sobre o mesmo peixe o Globo Online publicou anos depois (15/09/2006), matéria informando que pescadores da Praia das Pedrinhas, em São Gonçalo, Estado do Rio, “tiveram na manhã desta quinta-feira uma surpresa ao recolher uma rede: pegaram nela um peixe com bico e patas. Segundo especialistas, o animal é conhecido como peixe-morcego e ocasionalmente pode ser encontrado na Baía de Guanabara. Mas foi a primeira vez que pescadores da colônia da Praia das Pedrinhas viram o espécime”.

           

Disse o jornal que Emmanuel Gomes, pescador há mais de vinte anos, ganhou o peixe de um outro pescador, mas ouvido a respeito, declarou: “Nunca vi coisa igual. É um peixe muito feito”. E acrescentou: “Não vou ficar com ele, não. Agora que todos já o viram vou soltá-lo. Fizeram fila na porta de minha casa. Cada um dizia uma coisa diferente, chegaram a garantir que ele era venenoso e perigoso”.

 

Finalizando a reportagem, O Globo Online afirma que Emmanuel Gomes da Silva revelou que depois de muitos apresentarem seus palpites e sugestões o  estranho visitante da Praia das Pedrinhas foi batizado com o nome de Lulassauro. E ao ser perguntado sobre o por quê desse apelido, explicou: “Só ele sobrevive no meio de tanta podridão”.

 

De acordo com a bióloga Amanda Carvalho de Andrade, do Laboratório de Biologia e Tecnologia Pesqueira da Universidade Federal do Rio de Janeiro (URFJ,) o peixe-morcego recebeu esse nome por causa de sua estranha aparência. Segundo a especialista, ele tem patas porque não nada muito bem. E completa: “Na literatura ele é descrito como um peixe de aparência grotesca. Mas é inofensivo. Como não tem carne boa para consumo, não é muito conhecido”.