Num final de tarde o asno que carregava no lombo pesada carga de lenha seguia pela trilha riscada no campo mal podendo suportar o esforço que fazia. Em certo trecho, como o caminho era irregular e coberto de pedras, os que por ali passavam precisavam fazê-lo com cuidado e atenção, porque a trilha margeava uma área aonde a água estagnada formara ao longo do tempo um brejo perigoso.
Acontece que naquele exato momento o asno se sentia extremamente cansado em virtude de ter sido muito exigido durante o trabalho que seu dono o fizera realizar desde as primeiras horas da manhã, e por isso caminhava em passo lento e hesitante. Ao atingir o ponto crítico da travessia o pobre animal descuidou-se, tropeçou numa pedra, desequilibrou-se, o peso dos feixes de lenha fê-lo inclinar-se para o lado errado, e o coitado acabou caindo dentro do atoleiro.
Assustado, ele se pôs a zurrar desesperado, e enquanto chapinhava na lama também gritava pedindo ajuda:
- Socorro! Me acudam!
As rãs que moravam por ali assistiam o espernear do asno e se divertiam com a sua gritaria, até que uma delas, já cansada do espetáculo que o animal proporcionava, aproximou-se dele e disse:
- Meu amigo, se você está aprontando essa cena toda só porque caiu sem querer dentro do brejo, nem quero pensar no que seria capaz de fazer se tivesse que morar aqui a vida inteira, como acontece conosco.
Moral da história: O hábito não só faz com que coisas difíceis se tornem familiares, mas também facilita sua execução.
Baseado em uma fábula de Esopo.