O mangusto é um mamífero carnívoro pertencente à família dos Viverrídeos, que compreende animais de pequena estatura. Eles se dividem em cerca de vinte espécies e subespécies, cujas características principais são o corpo alongado, as patas curtas com cinco ou raramente quatro dedos, comprimento do corpo que pode chegar aos 65cm, mais 50cm de cauda, e altura raramente excedendo os 15cm. A cabeça é pontiaguda, as orelhas curtas e arredondadas, e o corpo coberto de pêlos anelados, de cor variada, mas com manchas pretas e brancas. Uma dessas espécies é a do mangusto-anão, natural das regiões tropicais da Ásia, África e península Ibérica, cujos exemplares se alojam preferentemente em cupinzeiros abandonados.
Facilmente domesticável, ele presta bons serviços a quem o mantiver solto pela casa, pois além de se afeiçoar ao dono e montar guarda durante a noite, ainda é um excelente predador de algumas espécies daninhas, como lagartos, ratos e assemelhados, além das cobras, sendo essa a razão pela qual foram introduzidos na Jamaica, para ajudar a acabar com as serpentes que infestavam aquela ilha. Mas, infelizmente, esse pequeno animal também costuma atacar os cães, gatos e outros animais domésticos que cruzarem seu caminho.
Quanto às cobras, o mangusto-anão é um dos poucos animais que comem sua carne com prazer e satisfação, tanto que esse é o seu alimento preferido. Tudo começa com uma batalha feroz, e o mangusto raramente perde. Sua grande agilidade permite que ele quase sempre leve a melhor sobre o réptil.
Como encontrar comida em seu habitat natural é sempre um problema de solução difícil e trabalhosa, esses pequenos mamíferos não perdem a oportunidade quando encontram pela frente um ninho com ovos de avestruz, mesmo correndo o sério perigo de serem pilhados em flagrante e mortos pelos pais da avezinha ainda na embalagem: passam a mão em um dos petiscos disponíveis à sua frente e fogem com ele o mais rápido que podem. Depois, já em lugar seguro, erguem o ovo com as patas dianteiras e o atiram com força ao chão, para quebrar sua casca e conseguir, dessa maneira, uma refeição substancial e nutritiva. Quando caça, ele muitas vezes finge estar morto, e pula sobre qualquer animal curioso que se aproxime.
Mas a necessidade de encontrar alimentos faz com que esse representante do gênero Herpetes também mantenham um relacionamento de reciprocidade pouco comum com os búceros, pássaros que se alimentam de frutas e insetos e cuja característica mais marcante é o bico em forma de chifre. Também chamados de calaus, essas aves são encontradas na África e sul da Ásia. Por serem os mangustos-anões os menores exemplares dessa espécie, eles se tornam extremamente vulneráveis a predadores como hienas e gaviões, e por isso passam a maior parte do tempo espreitando o perigo que os ronda, formando colônias de até vinte animais e abrigando-se em cupinzeiros desativados, com sentinelas atentas colocadas no alto dos mesmos.
Quando o dia amanhece e o sol permite o início de mais uma jornada dos mangustos-anões em busca de alimento, normalmente eles já estão sendo aguardados pelos búceros, que se juntaram no alto das árvores, à espera de que os bandos desses pequenos animais corram por baixo da vegetação buscando insetos e outros mamíferos de menor porte. Então eles passam a sobrevoar a área dos predadores em troca dos bichinhos descartados pelos seus parceiros caçadores, porque sua visão aguçada e o grito estridente que emitem são a garantia das criaturas em terra de que não serão apanhadas de surpresa por nenhum outro ser vivo que também esteja querendo matar a fome.
O aspecto curioso nesse tipo de relacionamento é que se porventura os mangustos-anões não aparecerem na hora costumeira, os búceros passam a gritar alto para acordá-los; mas quando são eles que despertam mais cedo e percebem que os pássaros ainda não chegaram, ficam pacientemente esperando que isso aconteça, uma vez que preferem não sair de suas tocas sem a cobertura das sentinelas aéreas que lhes dão proteção.
Embora até certo ponto os mamíferos e os pássaros briguem pelo mesmo tipo de comida, o relacionamento entre eles é razoavelmente tranqüilo e pacífico. Mas quando a área onde ambos buscam alimento é pequena, a situação se agrava e os búceros acabam sendo expulsos pelos mangustos-anões.