CARCARÁ E O ACAUÃ, O

O gavião-carcará saíra à caça, e não demorou muito para que avistasse um cágado que inadvertidamente se expunha ao sol na beira-rio, em um pequeno trecho limpo de vegetação. O rapineiro não pensou duas vezes: rápido e certeiro ele se lançou sobre a vítima desavisada e imprudente, prendeu-a firmemente em suas garras, e depois voou direto para a árvore mais próxima, a fim de saborear a refeição que acabara de capturar.

 

Lá pousando, ele tentou perfurar com o bico a carapaça de sua presa, mas por mais que tentasse, nada conseguia. Foi então que a acauã, sua parente distante, percebeu o que se passava, e como também estava com fome, gritou do lugar de onde acompanhava o desenrolar dos acontecimentos:

 

- Esse cágado aí você só vai conseguir comer se empregar a manha certa.

 

- E que manha é essa?

 

- Pela resposta, deu pra perceber que você está totalmente por fora do assunto. A manha de que falo é o que se deve fazer para quebrar essa casca que o cágado tem. Eu posso ensiná-lo a fazer isso, desde que você reparta a carne dele comigo. Certo?

 

- Certo.

 

Então, orientado pela acauã, o carcará voou até certa altura, e de lá de cima deixou o cágado cair sobre umas pedras. Quando o coitado do réptil bateu no chão, sua armadura óssea espatifou-se deixando a carne exposta, do que imediatamente se aproveitaram as duas aves para saciar a fome que sentiam.

 

Moral da história: Cada problema tem o jeito certo de ser resolvido.

 

Baseado em uma fábula de Esopo.