LEĆO E O HOMEM, O

O leão e o homem discutiam sobre a valentia de cada um deles, sem conseguirem, como é óbvio, chegar a um acordo. A fera alegava que enfrentava os problemas que lhe surgiam pela frente contando, para isso, apenas com os dons que a natureza havia lhe concedido, como a força física, a agilidade de movimentos e a capacidade de espreitar e surpreender suas vítimas, enquanto o ser humano precisava se valer de facas, lanças, revólveres, espingardas e outras armas semeadoras da morte, para preservar a própria vida.

 

O homem rebatia essa afirmação vangloriando-se principalmente da inteligência que possuía, o que lhe permitia raciocinar, avaliar e comparar as informações recebidas através dos cinco sentidos, coisa que ele, leão, não podia fazer. Mas garantia que também era forte o bastante para enfrentar feras como o seu interlocutor, tanto que lhe apresentaria uma prova irrefutável de que falava a verdade. E o levou a uma gruta onde aparecia gravada na pedra a figura de um homem forte afogando o leão que mantinha debaixo de si. O rei dos animais inicialmente limitou-se a rir do que lhe era mostrado, mas em seguida disse em voz grave:

 

- Se não fosse o homem o autor do que está sendo mostrado aí nessa pedra, até que se poderia dar algum crédito à cena incrível que nela está exposta. Mas acontece que o trabalho é dele mesmo, e por isso altamente suspeito. Portanto, o melhor que podemos fazer é deixarmos a arte de lado e provarmos num combate direto com qual de nós dois está a razão.

 

E dizendo isto derrubou o homem com uma patada, e em seguida o matou sem a menor dificuldade.

 

Moral da história: Os mais fracos não têm condições de medir força com os mais fortes, mas poderão vencê-los usando a argúcia e a sabedoria.

 

Baseado em uma fábula de Esopo.