O Projeto Tamar-ICMBio foi criado em 1980, pelo antigo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal-IBDF, que mais tarde se transformou no Ibama-Instituto Brasileiro de Meio Ambiente. Hoje, é reconhecido internacionalmente como uma das mais bem sucedidas experiências de conservação marinha e serve de modelo para outros países, sobretudo porque envolve as comunidades costeiras diretamente no seu trabalho sócio-ambiental.
Pesquisa, conservação e manejo das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil, todas ameaçadas de extinção, é a principal missão do Tamar, que protege cerca de 1.100km de praias, através de 23 bases mantidas em áreas de alimentação, desova, crescimento e descanso desses animais, no litoral e ilhas oceânicas, em nove Estados brasileiros.
O nome Tamar foi criado a partir da combinação das sílabas iniciais das palavras tartaruga marinha, abreviação que se tornou necessária, na prática, por conta do espaço restrito para as inscrições nas pequenas placas de metal utilizadas na identificação das tartarugas marcadas para diversos estudos. Desde então, a expressão Tamar passou a designar o Programa Brasileiro de Conservação das Tartarugas Marinhas, executado pelo Centro Brasileiro de Proteção e Pesquisa das Tartarugas Marinhas-Centro Tamar, vinculado à Diretoria de Biodiversidade do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade-ICMBio, órgão do Ministério do Meio Ambiente.
O jornal Folha de São Paulo, em sua edição de 18/09/2009, revela que naquele mês estudiosos e pescadores ligados ao projeto tiveram uma surpresa durante uma experiência no litoral norte da Bahia. Eles realizavam uma viagem de pesquisa testando anzóis circulares que podem ser usados sem o risco de matar tartarugas marinhas, e levaram um susto quando fisgaram, a mil metros de profundidade, um peixe estranho e totalmente desconhecido pela ciência, que embora grande, não tinha carne, nem pele, nem escama, sendo formado por uma massa que mais parecia gelatina.
“Quando vi o bicho tomei aquele susto, mas cai logo na água para filmar”, disse o coordenador do projeto, Guy Marcovaldi, que fez imagens inéditas do peixe com vida quando se aproximava da superfície. “Parece um animal pré-histórico”, completou o pescador Jucinei Evangelhista. “Parece que é de silicone, só tem gordura. Esse não dá pra comer”
Os pesquisadores calculam que a costa brasileira abriga pelo menos 150 espécies de peixe ainda desconhecidas da ciência. As descobertas mais recentes foram de pequenos animais. Do porte desse peixe foi a primeira vez, e o curioso é como um animal desse tamanho passou tanto tempo despercebido. Ele pesa cerca de 40 quilos e é do tamanho de um homem alto. "Um metro e oitenta e três”, diz o pesquisador. Olhos pequenos, boca grande e dentes quase invisíveis. O oceanógrafo Claudio Sampaio, professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) confirma que não há registro desse peixe em nenhuma publicação científica. “A gente encontrar uma espécie como essa, totalmente nova para a ciência, é uma jóia rara. Um peixe que jamais foi visto pelo homem, é uma preciosidade”, diz Sampaio. “Provavelmente vai ser uma grande surpresa mundial”.
O peixe será conservado em formol e vai fazer parte do acervo do Museu de Zoologia da UFBA. Para os biólogos, o desafio será maior do que uma simples identificação. Eles vão precisar descobrir também em que região dos mares vive essa raridade.
Já a revista Isto É, edição 2099, divulga que o Psychrolutes marcidus, peixe encontrado em águas profundas da Austrália e Nova Zelândia, vem sendo sistematicamente capturado e por isso está praticamente em extinção. Diz a publicação que ele é considerado pelos ambientalistas o peixe mais feio e triste da espécie. Tem o corpo gelatinoso, e sua carne não pode ser ingerida pelo homem porque é altamente tóxica.
Na verdade, essa espécie de peixe (ilustração acima) habita as águas profundas e tem a capacidade de suportar a pressão alta dessas profundezas porque seu corpo é realmente uma massa gelatinosa com densidade pouco menor que a água, o que lhe dá a condição de flutuar sem usar muita energia.