BURRO COM A PELE DO LEĆO, O

Um burro trabalhava resignado no moinho que existia em uma pequena aldeia, até o dia em que não se sabe por qual motivo, ele arrebentou a correia que o prendia à moenda e fugiu apressado para a floresta. Uma vez na mata o burro ficou andando sem rumo certo, para lá e para cá, até que acabou achando a pele de um leão.

 

Primeiro ele examinou o couro com certo cuidado, mas depois, já então bem contente com a descoberta, colocou-o sobre o corpo e passou a andar desse jeito por todos os lados, tentando imitar o porte altivo e soberano do rei dos animais. Daí em diante foi um Deus nos acuda, porque qualquer criatura que o visse, mesmo à distância, tratava de fugir o mais depressa que podia, porque a presença de um leão por perto inspirava grande receio aos habitantes daquele pedaço da floresta.

 

Entretanto, ao cobrir-se com a pele do leão o burro deixou de fora a pontinha de uma de suas orelhas, e por isso foi reconhecido facilmente pelo moleiro que saíra de casa à sua procura. Diante dessa constatação, o cidadão ficou enfezado, pegou um pedaço de pau e partiu para cima do seu animal de trabalho, arrancando de cima dele a pele de leão e dando-lhe, para completar, uma boa surra. Em seguida, colocando uma cangalha no burro fujão, retornou com ele ao moinho, devolvendo-o às tarefas que antes de sua escapulida o falso leão cumpria com paciência e resignação.

 

Moral da história: Sem o disfarce com que costumam impressionar os outros, os homens falsos são vistos por todos como os indivíduos covardes e mesquinhos que realmente são.

 

Baseado em uma fábula de La Fontaine