Joãozinho era um bom menino, mas costumava falar demais. Seus pais o advertiam no sentido de que fosse mais econômico no conversar, mas em vão, porque a criança não se corrigia. Certo dia os dentes, que sentiam passar por eles as continuadas torrentes de palavras, comentavam pesarosos:
- Que língua! Nunca fica parada, nunca sossega!
Ao ouvi-los a língua retrucou arrogante:
- Vocês, dentes, não passam de escravos encarregados da tarefa de mastigar tudo aquilo que eu quero. Nós não temos absolutamente nada em comum, e é justamente por isso que não lhes permitirei qualquer intromissão em meus negócios. Entendido!
E assim ficou. O menino continuou falando o que devia e o que não devia, enquanto a língua mantinha-se cada vez mais satisfeita com o constante aprendizado de novas palavras. Até que, certo dia, Joãozinho não agiu direito em uma coisa que fez, e para esconder o mal feito permitiu que sua língua contasse uma mentira. Nesse momento o coração, sempre vigilante, ordenou que os dentes se fechassem e mordessem a língua, para ensiná-la a não mais fazer aquilo.
Deu resultado. Porque a partir desse momento a língua, aprendida a lição, se tornou prudente, passando a pensar duas vezes antes de pronunciar qualquer palavra.
Moral da história: Nenhum mentiroso tem memória suficientemente boa para ser um mentiroso bem sucedido.
Baseado em uma fábula de Leonardo da Vinci