LAGARTA, A

Manhã de primavera, e no bosque colorido por flores de todos os matizes, a vida se agitava nos movimentos dos bichinhos que habitam costumeiramente tais lugares. Enquanto algumas dessas diminutas espécies animais voavam aparentemente sem rumo, para lá e para cá, outras seguiam apressadas por caminhos que só elas reconheciam. Muitas cantavam alegremente em saudação ao dia radiante de luz, enquanto incontáveis vermes, aranhas e insetos de tipos e tamanhos diferentes, cumpriam disciplinadamente as tarefas que a necessidade de sobrevivência lhes impunha com severidade.

 

Acomodada sobre uma folha a lagarta assistia àquela atividade febril sem qualquer tipo de manifestação, porque dentre todas as formas de vida animal ali presentes, ela era a única que não emitia nenhum som, nem tampouco sabia correr ou voar. Mesmo assim ela tentou mover-se, e o esforço que fez para passar de uma folha a outra foi tão grande que a coitada se quedou exausta, tal como se tivesse percorrido distância superior à de uma maratona. Mas apesar dessas dificuldades que complicavam a sua vida a lagarta não se lamentava nem sentia inveja de quem quer que seja, porque sabia que sendo uma lagarta precisava aprender a tecer fios com habilidade, e com eles construir uma casinha onde pudesse se abrigar.

 

E foi nisso que a lagarta começou a trabalhar caprichosamente, sendo aos poucos envolvida por delicado casulo de seda que a separava de tudo e de todos. Aí ela se perguntou:

 

- E agora? O que devo fazer?

 

E uma voz pareceu lhe responder:

 

- Agora, espere. Tenha um pouco mais de paciência e aguarde pelo que virá.

 

Então a lagarta adormeceu, e quando acordou já não era mais lagarta. Ela percebeu o que acontecera quando saiu do casulo com duas asas brilhantes e multicoloridas, e imediatamente começou a voar alegremente em meio à vegetação que a cercava, enfeitando o seu pequeno mundo com a beleza delicada que só as borboletas conseguem transmitir aos que têm olhos para admirá-las.

 

 

Moral da história: Tudo na vida tem o seu momento certo.

 

Baseada em uma fábula de Leonardo da Vinci