PESSEGUEIRO, O

Um pessegueiro e uma castanheira haviam nascido na mesma época, mas como eram de naturezas diferentes, desenvolveram-se de forma também diferentes. Enquanto o pessegueiro conseguira erguer seu tronco fino e galhos delicados somente alguns poucos metros acima do solo, a castanheira avançara cada vez mais pelas alturas, tornando-se uma árvore forte e vigorosa. 

 

Pouco tempo depois, na época da frutificação, o pessegueiro observou que a castanheira a seu lado estava com os galhos carregados de frutos, enquanto ele conseguira fazer nascer apenas uma quantidade bem reduzida de pêssegos. Sentindo-se diminuído diante dessa diferença, o pessegueiro, já com a inveja principiando a lhe roer os ramos e folhas, queixou-se em voz alta:

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- Por que esta árvore dá tantos frutos e eu produzo tão pouco? O que ela tem de melhor que eu? Isso não é justo! Vou tentar fazer o mesmo!

 

- Se eu fosse você não faria isso – aconselhou um pé de ameixa que vivia ali perto. E completou: - Olhe bem e veja que a castanheira tem tronco e galhos fortes, capazes de suportar o peso dos seus frutos. Ou seja, ela foi feita para isso, o que nos leva à conclusão de que cada uma de nós deve dar aquilo de que é capaz. No seu lugar, eu me preocuparia somente em produzir bons pêssegos, porque o importante na vida é a qualidade, e não a quantidade.

 

Porém, já dominado pela inveja, o pessegueiro desdenhou da advertência e orientou suas raízes para que retirassem mais alimento do solo; aos vasos lenhosos que transportassem para dentro de si o máximo possível de seiva bruta; aos ramos que se preocupassem exclusivamente com a produção de flores; e às flores, sem exceção, que se transformassem em frutos; de forma tal quando chegasse a época da colheita ele estivesse carregado de alto a baixo, e assim não se envergonhasse mais diante da superioridade produtiva do carvalho.

 

Foi o que aconteceu. Mas quando os pêssegos cresceram e se aproximaram do ponto de amadurecimento, seu peso aumentou, e com isso os galhos que os sustentavam não conseguiram mais resistir. Vencidos pela força da gravidade, eles se curvaram e arrastaram consigo o tronco, que foi vergando, vergando, vergando, até não suportar a pressão que o forçava de forma inflexível em direção contrária à sua natureza de subir, e partir-se ao meio num estalido seco, mas definitivo. Depois disso, não foi preciso muito tempo para que os pêssegos apodrecessem aos pés da castanheira.

 

Moral da história: Cuidado com a inveja! Afaste-a de si, ou então ela vai acabar levando você para o buraco.

 

Baseado em uma fábula de Leonardo da Vinci.