DODÔ

O dodô, também chamado de dido, doido ou dronte (como mostra o selo de Laos, abaixo) foi um pássaro que teve as asas atrofiadas no passado, e portanto não podia mais voar. Encontrado nas ilhas Maurício, Reunião (uma ilha-território da República Francesa) e Rodrigues (uma ilha que compreende a República de Maurício), tinha o tamanho de um ganso, cabeça grande, asas curtas e fracas, pernas fortes e terminadas por quatro dedos, bico alongado e recurvado na ponta e cauda reduzida a um tufo de penas retorcidas.

 

Dele existiam cerca de nove espécies, três espécies diferentes em cada ilha. A figura mais antiga que se conhece dessa ave é de 1601, feita por De Bry (ilustração acima), e representa um animal que foi levado vivo para a Holanda, por Van Neck, explorador holandês que andou em regiões próximas as Ilhas Maurício no final do século XVI.

 

Em 1505, quando os primeiros marinheiros portugueses chegaram às ilhas Maurícias, a oeste da ilha de Madagascar, na costa oriental da África, encontraram por lá uma ave com as características acima descritas, pesando em média 25 quilos, com 50 centímetros de altura e o corpo recheado de carne, porém lenta e com asas reduzidas, razão pela qual não podia voar. Seu nome era dodô, e como não tinha o menor receio do homem, o resultado foi que passou a integrar habitualmente as refeições dos colonos lusitanos que chegaram logo depois, e mais tarde também dos holandeses, que ocuparam a ilha a partir de 1598, além de serem levados em grande número pelos navios que aportavam naquelas paragens, para que os seus tripulantes pudessem se abastecer de carne fresca a ser consumida durante as viagens que faziam.

 

Verdade que os europeus caçavam apenas indivíduos adultos, mas os porcos, os ratos e os macacos que também chegaram com eles, passaram a atacar os dodôs, a destruir os seus ninhos em busca dos ovos que lá se encontravam, além de competir na exploração dos recursos que o meio-ambiente oferecia. Com isso, a enorme quantidade das pesadas aves que antes habitavam as ilhas foi diminuindo aceleradamente, até que por volta do ano de 1681, o derradeiro exemplar da desengonçada criatura de penas foi almoçado sem qualquer remorso por pescadores esfomeados, provocando dessa forma a extinção da espécie.

 

Segundo estudos realizados posteriormente em fósseis dessas aves, elas eram herbívoras e alimentavam-se das sementes de uma árvore chamada Calvária. Descobriu-se, também, que os 13 exemplares desse vegetal que ainda existem nas ilhas, têm mais de 300 anos, ou seja, são da mesma época em que o Dodô foi riscado do mapa. Isso permite a presunção de que a passagem das sementes pelo aparelho digestivo das aves teria alguma relação com a sua capacidade de germinação, o que significaria dizer que a falta de uma acarretou o quase desaparecimento da outra. Isso porque se descobriu, mais tarde, que era possível conseguir o mesmo efeito se as sementes fossem comidas por perus. A árvore foi salva e agora é conhecida por árvore-dodô. Além disso, novo estudo genético descobriu que o dodô descendia de uma espécie de pombos migradores que se instalaram na ilha e teriam evoluído para uma ave muito maior e sem capacidade de voar.

 

Duas outras espécies de pássaros relacionadas ao dodô também foram extintas anos depois: o Reunion Solitaire, em 1746, e o Rodrigues Solitaire, em 1790 (esta representada no selo ao lado). As três aves que as gerações modernas não tiveram oportunidade de conhecer, são testemunhas silenciosas do mal que a presença do ser humano ocasionou a um grande número de animais, culminando com o seu desaparecimento da face da Terra. No tocante às aves, apenas, a relação que se segue contém 24 espécies - além das regiões por ela habitadas  - que acabaram sendo exterminadas em virtude dessa aproximação:

 

Águia-de-haast (século XVI, Nova Zelândia)

Ararinha-azul (Julho de 2002, Brasil)

Arau-gigante (Islândia, 1844)

Avestruz-árabe (1942, Oriente Médio)

Caracara-de-guadalupe (1900, Guadalupe)

Cormorão-de-lunetas (1850, Mar de Bering)

Cotovia-da-ilha-stephen (1894, Ilha Stephen)

Dodô (1693, Ilhas Maurícias)

Galinha-do-mato (1932, nordeste dos Estados Unidos)

Huia (século XX, Nova Zelândia)

Mamos (Hawaii)

Mergulhão-de-atitlan (1989, Guatemala)

Moa (século XVIII, Nova Zelândia)

'O'os (Hawaii)

Papagaio-cinzento-das-maurícias (1764, Ilhas Maurício)

Papagaio-de-bico-largo (1680, Ilhas Maurício)

Pato-de-cabeça-rosa (1936, Índia e Bangladesh)

Pato-do-labrador (século XX, Canadá)

Periquito-da-carolina (século XX, EUA)

Petrel-de-guadalupe (1911, Guadalupe)

Piopio (século XX, Nova Zelândia)

Pombo-passageiro (1/9/1914, América do Norte)

Solitário-de-rodrigues (Ilhas Rodrigues)

Vorompatra (século XVII, Madagáscar)