LEĆO E A GUERRA, O

Houve uma época em que o leão começou a elaborar projetos de conquista, mas para realizá-los ele se deu conta de que deveria preparar, também, planos guerreiros nos quais os seus vassalos estariam diretamente envolvidos. Sendo assim, o rei dos animais mandou mensageiros aos súditos mais importantes, convocando-os para a reunião em que a estratégia militar seria discutida e definida.

 

Nesse encontro cada um dos presentes deu o palpite que julgava acertado, ficando decidido que o elefante levaria no dorso os apetrechos de que precisariam, além de valer-se de seu corpanzil para ajudar os companheiros durante o combate; o urso foi aconselhado a preparar-se adequadamente para a luta, pois certamente ela seria desenvolvida em várias e difíceis batalhas; à raposa entregaram a tarefa de iludir o inimigo com disfarces, pois sendo reconhecidamente matreira e ardilosa, ninguém melhor que ela para desempenhar essa tarefa; e assim em diante.

 

Foi quando alguém falou que o burro e a lebre deveriam ser deixados de lado, porque como todos sabiam que o primeiro era pouco inteligente, e a segunda reconhecidamente sujeita ao pânico que o medo provoca nas pessoas de pouca coragem, o melhor a fazer seria deixá-los na retaguarda, a fim de evitar possíveis complicações.ou contratempos. Mas o leão não concordou com tal proposta, explicando que sem os dois o seu exército ficaria incompleto. E deu a todos os detalhes do que pensava a respeito do aproveitamento de ambos:

 

- O burro desempenhará a função de corneteiro, pois além dos seus zurros nos servirem de aviso e alerta, certamente produzirão, também, espanto e ansiedade em nossos inimigos. Quanto à lebre, quem melhor do que ela poderá servir de estafeta, levando e trazendo as mensagens que precisaremos trocar entre nós? Como vêm, as aptidões e talento de nossos companheiros poderão nos ser muito úteis, não é mesmo?

 

E todos concordaram.

 

Moral da história: As pessoas experientes e ajuizadas não encontram nada inútil em tudo que tem vida.

 

Baseado em uma fábula de La Fontaine.