Na entrada de sua toca a raposa almoçava tranqüila quando um arminho passou por ali. Os dois animais se cumprimentaram cordialmente, e o arminho já ia seguindo seu caminho, elegante como sempre, quando a raposa lhe perguntou:
- Você não quer almoçar comigo? A comida dá para nós dois.
- Não, obrigado – respondeu o arminho. – Acontece que eu já almocei.
- Deixe de cerimônia, arminho – retrucou a raposa. - Pode chegar e sentar. Eu sei do que dizem por aí, que vocês são os animais mais vaidosos da floresta, e comem só uma vez por dia porque têm medo de sujar o pêlo. Eu não acredito nisso, e por isso renovo o convite. Sente-se e coma alguma coisa. A comida está muito boa...
Nesse momento a conversa foi interrompida pelo barulho feito por alguns caçadores que se aproximavam. Rapidamente a raposa se pôs de pé e enfiou-se no buraco da toca onde se escondia, pondo-se a salvo. O arminho procurou fazer a mesma coisa, mas quando chegou ao seu abrigo percebeu que o sol derretera a neve que o circundava, transformando o terreno em um lodaçal. Então ele hesitou. O medo de escorregar na lama e sujar a brancura de sua pelagem foi mais forte que o impulso da fuga, da consciência de que precisava escapulir dos homens que vinham logo atrás, em cima de suas pegadas.
Mas ficou por aí mesmo, porque enquanto permanecia indeciso e sem saber o que fazer, os caçadores chegaram ao lugar onde estava e o apanharam.
Moral da história: A vaidade, quando é demais, anula a inteligência das pessoas.
Baseado em uma fábula de Leonardo da Vinci.