Na toca, a leoa, sozinha, amamentava os filhotes. Ali perto, quatro caçadores nativos armados com espadas e lanças afiadas, aproximavam-se sorrateiros, silenciosamente, certos de que fariam uma boa caçada. O quarteto avançava contra o vento, para que seu cheiro não chegasse à fera, mas em determinado momento a corrente de ar rodopiou inesperadamente em meio à folhagem, e isso foi suficiente para que a leoa os farejasse e percebesse o perigo que corria.
No mesmo momento ela levantou-se instintivamente, pronta para defender sua prole, mas aí percebeu que já era tarde porque os caçadores estavam prontos para atacar. Desesperada, a leoa não hesitou um só instante quanto ao que deveria fazer: ao invés de fugir amedrontada e abandonar os pequenos leãozinhos à própria sorte, trataria de defendê-los até o último momento.
E foi o que fez, mesmo vendo todas aquelas armas que enchiam seu coração de pavor: tomou impulso e saltou na direção dos caçadores, atingiu os dois primeiros com suas garras afiadas, e os outros dois, ao verem o que acontecia, fugiram em desabalada carreira. Logo depois seu companheiro, o leão, chegou atraído pelo barulho, e a encontrou novamente quieta, amamentando os filhotes que protegera com tanta valentia e desassombro. Sua grande coragem salvara a todos.
Moral da história: Valente e admirável é a pessoa que busca coragem no seu próprio desespero.
Baseado em uma fábula de Leonardo da Vinci.