O mês dos ventos fortes estava chegando, e por isso uma parreira achou por bem se apoiar o mais que podia na velha árvore que vivia ao seu lado, certa de que assim se sentiria mais protegida, mais segura, caso tivesse que enfrentar uma tempestade E foi o que ela fez, sem dar atenção ao que lhe diziam as suas companheiras de parreiral, que agarradas às estacas colocadas entre elas pelo dono da propriedade, perguntavam com incredulidade:
- Por que você foi procurar apoio nessa árvore que mal e mal se agüenta em pé? Ela está velha, cansada, não tem mais resistência, e se por acaso a ventania a derrubar, coisa boa certamente não vai acontecer a você.
Mas a parreira não as escutou, ou fez que não ouviu, porque estava certa de que sua decisão era correta, e que da forma como agira certamente teria muito mais chance de resistir a qualquer tempestade violenta que as suas colegas escoradas em estacas pouco confiáveis.
Então, certa noite, o vento começou a assobiar anunciando que não estava para brincadeiras. E na medida em que aumentava a força do seu sopro, mais e mais galhos da velha árvore despencavam das alturas, impotentes diante da violência com que eram espancados pelas correntes de ar. Até que ela própria, a árvore, não teve mais força para agüentar a intensidade da intempérie, e tombou com grande estrondo, esparramando-se na erva que crescia no local. A parreira, coitada, sem outro meio para defender-se, tombou junto com ela, sumindo de vista sob os galhos retorcidos.
Moral da história: É impossível ajudar a quem não admite conselhos.
Baseado em uma fábula de Leonardo da Vinci