MÃE PINTASSILGO E FILHOTES, A

Mamãe pintassilgo fizera seu ninho em uma árvore de ramagem fechada, e por isso acreditava que os filhotes que ali criava estariam a salvo de qualquer perigo. Certo dia, porém, quando retornou à habitação trazendo no bico uma minhoca para alimentar os pequerruchos, descobriu que eles tinham desaparecido. Desesperada, a pobre mamãe começou a procurá-los por toda parte, dia e noite sem comer ou dormir, vasculhando o chão e as árvores, ali por perto e mesmo um pouco mais longe, mas em vão, nenhum sinal deles foi encontrado. Os outros pássaros entendiam o por quê do seu choro e das suas lamúrias, mas nenhum deles tinha conhecimento de alguma informação que pudesse ajudá-la na busca que fazia.

 

Três dias depois um canário que viera de outras bandas e estava ali só de passagem, ficou sabendo da história e revelou que tinha sobrevoado a casa do fazendeiro mais próximo, e vira que ele mantinha três filhotes de pintassilgo presos em uma gaiola. Alvoroçada, a mamãe pintassilgo logo voou para a tal fazenda, pousou no telhado da residência, dali desceu para o pátio, de onde ficou observando tudo com atenção, até descobrir que a pequena clausura que prendia seus filhos ficava dependurada do lado de fora de uma janela do andar superior. Quando os filhotes perceberam que a mãe se aproximava, piaram desesperados suplicando pela liberdade, e a ave, coitada, apesar dos esforços que fez tentando quebrar as grades com o bico e as patas, concluiu que não era possível, resignou-se com a sua impotência e retornou à floresta.

 

No dia seguinte a mamãe pintassilgo voltou. Junto à grade ela fitou com tristeza cada um dos filhotes que lhe haviam sido roubados, sentiu seu coração agitar-se com a dolorosa amargura que não podia controlar, mas em seguida, sem hesitar, alimentou suas crias, uma a uma, com a erva venenosa que trouxera. E ao vê-los tombarem na agonia da morte, dirigiu-lhes uma última e triste mensagem:

 

Adeus, filhos! Fiz o que fiz porque é melhor morrer do que passar o resto da vida aprisionado em uma gaiola minúscula.e desconfortável. 

 

Moral da história: A liberdade é o bem mais precioso que a vida nos oferece.

 

Baseado em uma fábula de Leonardo da Vinci