ARANHAS - Teias

As aranhas pertencem à família dos artrópodes, nome criado em 1848 pelo zoólogo alemão Carl Teodor Ernst von Slebold (1804-1885), para abranger os insetos, os aracnídeos e os crustáceos. Extremamente adaptáveis ao meio-ambiente em que vivem, os artrópodes são encontrados em todas as partes do mundo e em todos os climas, desde o alto do Everest, nove mil metros acima do mar, até o fundo das grotas, depressões e galerias subterrâneas; nas ilhas desérticas, nas matas e florestas, nas regiões descampadas e nos desertos áridos. Mas se a aranha pode ser achada em todos esses lugares, é porque da mesma forma como é grande a variedade dos ambientes em que vive, seus costumes e formas também são bem diversificados.

 

Excelentes fiandeiras e rendeiras, as aranhas usam cinco pares de glândulas que possuem no abdômen para tecer suas redes de captura, cada uma deles operando separadamente dos demais. Um fornece o fio seco utilizado por ela para subir, descer ou se movimentar ao redor da teia; outro fabrica o fio viscoso destinado a capturar presas; um terceiro produz os filamentos que imobilizam o inseto capturado até que a aranha esteja pronta para comê-lo; para completar, uma glândula faz a cola que prende o fio seco, outra produz a cobertura macia para o casulo dos ovos, e as demais soltam qualquer um dos fios de seda, dependendo da necessidade. Todo esse trabalho é complementado pelas delicadas garras que as aranhas possuem nas patas, pois com elas os fios são colocados em posição na teia, sua tensão é corrigida, e o mais importante, é através delas que a caçadora sente a vibração anunciando a chegada do almoço ou da janta.

 

Para armar sua teia entre duas árvores distantes a aranha sobe numa delas até a altura que lhe seja conveniente, aponta seu abdômen para o espaço livre e vai liberando um fio que é levado pelo vento até se prender em algum galho do outro lado. Ao sentir que esse fio está seguro firmemente na árvore vizinha, ela então procura esticá-lo o mais que pode e depois o prende de seu lado, passando a caminhar de um lado para outro por essa ponte pênsil, ao mesmo tempo em que vai soltando novos fios que irão reforçá-la. Para poder direcionar o seu fio na direção que deseja, a aranha conta com a ajuda de pêlos sensoriais capazes de perceber em que sentido está soprando o vento, a brisa, ou o mais leve deslocamento de ar.


A teia circular é a forma mais familiar da arquitetura aracnídea. Uma teia em formato de espiral vertical, com raios interligados, é igualmente eficiente para atrair pequenas moscas ingeridas pelas aranhas de jardim, ou grandes grilos comidos pela aranha dourada da Austrália, de 75mm.  Se um pássaro esbarrar em uma teia de aranha nada lhe acontecerá, mas a aranha terá que tecê-la de novo, provavelmente de estômago vazio. Por isso, algumas grandes aranhas tropicais deixam as cascas de insetos penduradas em suas teias como aviso para os pássaros não esbarrarem nelas. Pensava-se que a faixa em ziguezague em seda grossa tecida nas teias de algumas aranhas tivesse esse mesmo objetivo, mas ela também serve para atrair insetos ao refletir luz ultravioleta, como as pétalas das flores.

 

Há inúmeras variações de teias de aranha circulares e elas representam apenas um dos muitos estilos tradicionais de teia. A aranha de teia em plataforma, por exemplo, modela uma mesa de jantar horizontal, sobre a qual constrói um fino labirinto de fios. Insetos voadores capturados no labirinto acabam caindo exaustos na mesa, onde a aranha faminta está à espera. Já a aranha lança-rede pendura-se num fio, prendendo com suas quatro patas dianteiras uma espécie de cama de gato de seda. A rede que ela prende é retangular e esticada sobre um tablado de cordas de seda. Quando a aranha corta a rede, os fios retraem-se para cerca de um décimo de seu comprimento quando esticados, produzindo uma teia extremamente elástica. A aranha então espera que um inseto passe por ela, e quando isso acontece, os seus dois olhos enormes permitem que ela mire com cuidado, jogue a rede, puxe a presa e comece a sugá-lo.

 

Outro exemplo é o da aranha-boleadeira, do leste da Austrália, que pega mariposas tecendo um fino fio de seda com uma bola pegajosa na ponta - parecidas com as boleadeiras dos gaúchos do sul do Brasil. A aranha aromatiza a bola pegajosa com um coquetel químico cujo cheiro é o da mariposa fêmea, e uma vez pronta a armadilha ela se suspende por um fio de seda até a altura ideal (assim como se estivesse em um trapézio), levando a bola pendurada em uma das pernas, e fica à espera. As mariposas machos são atraídas pelo cheiro, aproximam-se e avançam sobre a armadilha mortal, sendo capturadas pela bola pegajosa e então puxadas para serem comidas. Suas chances de escape são pequenas, pois o fio de seda da aranha, 250 vezes mais fino do que o cabelo humano, é duas vezes mais forte que o aço. Quando a época de acasalamento de uma determinada espécie de mariposa termina, a aranha-boleadeira é obrigada a encontrar outras fontes de alimento. Muda sua isca, fazendo novos tipos de coquetel para atrair diferentes espécies de mariposas.

 

Aparentemente a teia de aranha é leve e frágil, mas essa impressão é enganosa porque, na verdade, o material de que ela é feita, guardadas as proporções devidas, é mais forte que o aço, mais elástico que a borracha e mais resistente que o enchimento de coletes à prova de bala. Os avanços recentes da produção sintética de seda de aranha abriram novos horizontes na cirurgia e na tecnologia espacial, bem como na fabricação de objetos como o pára-quedas à prova de rasgo e cordas de reboque. Até mesmo aranhas de jardim podem fabricar vários tipos de teia, cada qual com uma finalidade diferente.