COLOSSO DE RODES

Em Rodes, ilha grega situada ao largo da costa sudoeste da Turquia, no mar Egeu, ergue-se a antiga cidade do mesmo nome, colonizada nos tempos históricos pelos fenícios, e depois pelos dórios vindos da Macedônia. Em 305-304 antes de Cristo, Demetrio I, da Macedônia, filho de Antígono e conhecido como Poliorcete, conquistador de cidades, tentou dominá-la, e para isso promoveu um longo cerco à ilha na esperança de que seus habitantes finalmente depusessem as armas, mas sem sucesso. E por isso foi embora com seus soldados, em busca de outras batalhas.

 

Para comemorar a retirada das tropas do rei macedônio, o povo de Rodes achou por bem mandar construir um monumento em agradecimento ao deus Hélios, que tinha na ilha o seu mais importante centro cultual. Embora relativamente secundário na mitologia grega, com traços que se confundiam freqüentemente com os de Apolo, ele personificava a luz e o calor, fecundava e alimentava tudo sobre a Terra, e tinha como dever percorrer o céu de um lado a outro, numa carruagem dourada puxada por quatro cavalos: cada manhã saía do oceano, no oriente, e mergulhava em suas ondas à tarde, no ocidente.

 

Para executar a obra desejada pelos ilhéus, foi convidado o escultor Charés, natural de Lindos, localidade situada na própria ilha, que levou cerca de doze anos (de 292 a 280 a.C.) para concluí-la. Com 32 metros de altura, a estátua de bronze, que apesar de oca pesava aproximadamente setenta toneladas, foi feita com o material obtido na fundição dos armamentos que os macedônios haviam deixado para trás. Colocado à entrada do porto de Rodes, com um pé apoiado em cada margem do canal de acesso, o monumento empunhava em sua mão direita um farol que orientava as embarcações durante a noite, e era tão imponente que um homem de estatura normal não conseguia abraçar seu dedo polegar. Assim, uma embarcação que chegasse à ilha passaria obrigatoriamente entre as pernas da enorme estátua de Hélio, protetor do lugar.

 

Mas ela permaneceu em seu lugar por apenas 55 anos, quando um terremoto a derrubou e a jogou para o fundo da baía de Rodes. Logo após o sinistro, os habitantes do lugar foram consultados sobre a possibilidade de reconstrução do monumento destruído, mas responderam negativamente em virtude do aviso que lhes fora dado por um oráculo de outro local próximo à ilha, no sentido de que os deuses não aprovavam essa providência. O Colosso permaneceu esquecido até à chegada dos árabes, no século 6, que trataram de vendê-la como sucata. Para ter-se uma idéia do volume do material retirado das águas, foram necessários novecentos camelos para transportá-lo até o novo destino.

 

Apesar de ter esculpido uma obra maravilhosa, o escultor Charés suicidou-se logo após tê-la terminado, desgostoso com o pouco reconhecimento público que o monumento despertara entre os seus conterrâneos. Anos depois, porém (entre 150 e 120 a.C.), ele foi incluído entre as Sete Maravilhas do Mundo pelo poeta grego Antípatro de Sidon, autor da primeira lista que reunia as maiores e mais importantes construções até então realizadas pelo homem.

 

E assim permaneceram pelos séculos adiante, embora não se saiba sequer a aparência que tinham, só sendo possível imaginá-las a partir de descrições imperfeitas e das reproduções estilizadas em moedas ou gravuras.