A cidade de Gizé está situada nas proximidades do Cairo, capital do Egito, à margem ocidental do rio Nilo. Primitivamente ela foi um lugar importante, com suntuosos palácios que hoje estão em ruínas, e de lá, a uma distância aproximada de oito quilômetros, rumo oeste, se encontram as grandes pirâmides (e a esfinge famosa), das quais a de Queóps (Khufu), é uma das sete maravilhas do mundo antigo. À sua direita e esquerda, erguem-se as de seu filho Quéfren e do neto Miquerinos (a menor das três), formando com a do pai e avô um conjunto impressionante.
Das Sete Maravilhas do Mundo, a Pirâmide de Gizé é a única cuja descrição hoje conhecida não pertence à versão dos historiadores e poetas antigos. Isso porque, apesar de ser a mais velha das construções eleitas no passado como as mais importantes até então feitas pelo homem, ela conseguiu resistir à passagem de quase cinco milênios e por isso não depende agora de especulações sobre como era, ou que tamanho tinha quando foi construída. Verdade que grande parte do seu revestimento já se perdeu, mas isso não abalou ou prejudicou sua estrutura, que continua tão sólida e firme quanto na época em que foi erguida.
Quéops, cujo nome egípcio era Khufu, reinou por volta de 2.500 antes de Cristo. Pertencendo à 2ª geração da 4ª Dinastia, ele, ao construir o monumento que lhe serviria de túmulo, deu continuidade a um procedimento que começara com os faraós reinantes a partir da 3ª Dinastia (2.750 a.C.). Pouco se sabe sobre seus métodos de governo, supondo-se que tenha sido um homem muito poderoso diante do conhecimento de que comandava milhares de pessoas, além de destinar grandes fortunas, para construir sua pirâmide. Assim, ao longo de 23 anos um exército de cem mil operários conseguiu erguer a Grande Pirâmide, considerada uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo por suas dimensões – 146 metros de altura (só superada no século 19, pela Torre Eiffell), numa área de 53.000 metros quadrados, ou seja, pouco mais de cinco hectares de terreno, ou aproximadamente cinco campos de futebol reunidos, construída com 2.300.000 blocos de pedra calcária ou granito, pesando, em média, 2 toneladas e meia cada um. A seção transversal da pirâmide é quadrada em qualquer nível, com cada lado medindo, na base, 229m de comprimento, e o espantoso no caso é que o erro máximo nessas medidas é de 0,1%.
Sua planta interna foi modificada várias vezes, tendo permanecido incompletas duas câmaras sepulcrais. À câmara definitiva chegava-se pela Grande Galeria – um compartimento em rampa com 45 metros de comprimento por 8,5 de altura, ventilado por dois estritos condutores de ar e munido com três blocos de pedra destinados a selar a passagem após o enterro do faraó. A câmara real era coberta por enormes lajes de granito e seis tetos, para aliviar o peso da estrutura da pirâmide. Além disso, a Grande Pirâmide fazia parte de um impressionante conjunto arquitetônico formado de templos mortuários, três pequenas pirâmides destinadas às rainhas, poços para enterro dos barcos de sol, e várias filas de mastabas (jazigo dos antigos egípcios, consistindo em uma entrada, uma câmara funerária e um poço estabelecendo comunicação entre ambas) destinadas aos familiares reais, nobres e representantes do clero.
Os métodos de construção desses monumentos até hoje provocam controvérsias entre os estudiosos. Supõe-se que todos os trabalhos – inclusive o processo de erguer as pedras a grandes alturas - tenham sido realizados manualmente, com instrumentos rudimentares. Os blocos, cortados com precisão, permitiam um perfeito encaixe, parecendo que tanto o acabamento como o polimento final eram realizados depois de estarem as pedras definitivamente assentadas. Por isso permanece sem resposta a indagação dos mais curiosos: como os antigos egípcios encaixaram pedras tão grandes com tamanha precisão, usando ferramentas simples como martelos, talhadeiras, alavancas e cordas? Existem diversas idéias sobre o manuseio das pedras. Provavelmente, os pesados blocos eram colocados em trenós de madeira e arrastados sobre uma longa rampa. Outra teoria é a de que essa rampa envolvia a pirâmide tal como se fosse uma escada em espiral.
Apesar das complicadas medidas de segurança aplicadas pelos construtores, como sistemas de bloqueio com pedregulhos e grades de granito, todas as pirâmides do Antigo Império foram profanadas e roubadas possivelmente antes de 2000 antes de Cristo, inclusive a de Gizé, e com isso a maior parte dos tesouros que acompanhavam os mortos desapareceu para sempre. O exterior da construção também sofreu estragos e avarias, não só provocados pela ação do tempo, mas também como resultado da devastação causada pelo homem.
Para os egípcios, a pirâmide representava os raios do sol brilhando em direção à terra. Todas as pirâmides do Egito foram construídas na margem oeste do Rio Nilo, na direção do sol poente. Os egípcios acreditavam que, enterrando seu rei em uma delas, ele se elevaria e se juntaria ao sol, tomando o seu lugar de direito ao lado dos deuses.