ESCORPIÃO

Os escorpiões são artrópodes de tamanho variável, pertencentes à ordem dos Escorpionídeos, classe dos aracnídeos, encontrados em todos os continentes, menos na Antártida. Durante o dia grande número deles se esconde sob pedras, madeira e troncos podres, enquanto outros procuram lugares escuros e úmidos, ou se abrigam próximo às residências humanas, ocultando-se nos montes de entulhos, em madeiras empilhadas a até mesmo sob as lajes de túmulos, saindo à noite para caçar insetos, cupins, grilos e baratas, além de aranhas, que constituem a base de sua alimentação.

 

Pesquisas científicas nos dão conta que os escorpiões surgiram na Terra no período silúrico, o mais antigo da era paleozóica (compreendido entre 443 a 417 milhões de anos), época em que também as centopéias e as aranhas passaram a conviver com eles no ambiente terrestre. Mas o aparecimento de animais portadores de carapaça ocorreu antes disso, entre 542 e 488 milhões de anos, no período cambriano, o que foi muito útil a esses artrópodes porque a proteção de quitina (uma substância natural insolúvel) lhes permitia evitar a evaporação excessiva, o que adquiria importância vital diante do seu baixo consumo de água (que se mantém até hoje).

 

Existem catalogadas, atualmente, cerca de 1600 espécies e subespécies de escorpiões espalhados pelo mundo, das quais apenas 25 causam graves acidentes ao homem. Delas, somente três são importantes no Brasil (relação abaixo), e destes apenas os dois primeiros apresentam perigo para as pessoas, podendo causar acidentes graves e inclusive a morte de seres humanos e animais. Já o terceiro é um animal que não oferece nenhum perigo:

 

- Tityus serrulatus, o escorpião amarelo (causador dos acidentes mais graves).

- Tityus bahiensis, o escorpião preto (também pode causar acidentes graves).

- Bothriurus araguayae, escorpião também preto, mas bem pequeno e brilhante.

 

O corpo dos escorpiões é dividido em três partes: o cefalotórax (onde se encontram os olhos, as queliceras, que são apêndices articulados localizados nos lados da boca, que servem para apanhar as presas, e os pedipalpos, ou palpos, um segundo par de apêndices articulados localizados também nos lados da boca, que são uma espécie de braço humano dos escorpiões, que ajudam as quelíceras na alimentação e que são terminados em quelas, garras, ou pinças); o abdome e por fim a cauda, onde se encontra uma estrutura cilíndrica que tem na ponta um ferrão, ou aguilhão inoculador, chamado telson, além do ânus e a vesícula de veneno. Esse veneno contém neurotoxinas que agem sobre as células nervosas da presa, podendo paralisar-lhe o coração e a respiração e acarretando, assim, sua morte.

 

De hábitos geralmente noturnos e crepusculares, os escorpiões são carnívoros, chegando, inclusive, a praticar o canibalismo em época de escassez de alimentos, para garantir sua sobrevivência. Mas podem passar até um ano sem comer. Como sua visão é pouco desenvolvida, conseguem localizar e capturar as presas que lhes servem de alimento através dos pêlos sensoriais situados principalmente nos palpos, capazes de perceber qualquer movimentação de ar nas proximidades de onde se encontra. 

 

Em virtude de serem hostis entre si, seus hábitos de acasalamento são cuidadosos. Nas preliminares, o macho e a fêmea se agarram pelas tenazes, neutralizando-se, e se entregam primeiramente a um estranho bailado nupcial, para frente e para trás, como se dançassem uma valsa, cujos movimentos limparão os detritos do chão. Na seqüência, o macho deposita no solo uma cápsula contendo espermatozóides, e coloca a fêmea sobre eles, para que ela os receba e seja assim inseminada. Mas em determinadas espécies ocorre a partenogênese (reprodução sem fecundação), quando óvulos não fertilizados dão origem a embriões vivos.

 

Os escorpiões, que vivem de 3 a 5 anos, conforme a espécie, são vivíparos, ou seja, não põe ovos.  Durante o parto, a fêmea eleva o corpo apoiando-se sobre as pernas posteriores e formando um cesto com as anteriores, para abrigar e transportar os recém-nascidos (40, em média) ao seu dorso, onde eles permanecem até a realização da primeira troca de pele, quando então abandonam a mãe e passam a ter vida independente. O período que vai do nascimento à dispersão dos filhotes varia bastante entre as espécies, mas para os escorpiões preto e amarelo ela é de aproximadamente 14 dias. A distinção entre macho e fêmea nem sempre é fácil, uma vez que os caracteres morfológicos variam de acordo com a espécie e são observados somente em indivíduos adultos (com mais de um ano de vida).

 

Os escorpiões só atacam os homens quando acuados, mas para evitar que acidentes imprevistos venham a acontecer certos cuidados podem ser tomados, principalmente em áreas onde a presença de tais artrópodes seja mais notada. Entre essas medidas preventivas estão a de sacudir os calçados e roupas antes de usá-los; manter limpa as cercanias da residência, evitando acúmulo de lixo, entulho e materiais de construção; manter o habitat familiar livre de baratas, um dos principais alimentos dos escorpiões em centros urbanos; não colocar mãos e pés dentro de buracos, ou em montes de pedras e lenha; usar ralos protetores; usar sempre calçados e luvas nas atividades rurais ou de jardinagem; usar telas ou outro material de vedação em portas e janelas. O envenenamento provocado por um escorpião pode provocar febre ou queda de temperatura, transpiração excessiva, visão embaçada, náuseas, vômitos, dor abdominal, diarréia, arritmias cardíacas, choque, agitação, sonolência, confusão mental e tremores, além de inchaço e vermelhidão no local da picada. Por isso, caso ocorra um acidente, o atendimento médico deve ser procurado com a maior brevidade possível.

 

Os predadores naturais dos escorpiões são as lacraias, louva-deus, macacos, aranhas, sapos, lagartos, seriemas, corujas, gaviões, quatis, galinhas, camundongos, algumas formigas e os próprios escorpiões.