MACHU PICCHU (Peru)

O império inca histórico teve início com Pachacútec Inca Yupanqui, que esteve à frente de seu povo a partir de 1438, e a quem se atribui a construção de Machu Picchu, ou “montanha velha”, na língua quichua, idioma falado por essa tribo sul-americana que habitava vasta região no Norte da América do Sul, entre o oceano Pacifico e as cabeceiras dos rios Madeira, Mamoré e Amazonas. A cidade, localizada em terras do atual Peru, a 2.350 metros de altitude, no topo de uma das montanhas do vale do rio Urubamba, nos confins da floresta amazônica, foi indicada em 7 de julho de 2007 como uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno.

 

Liderados por Pachacútec os incas alcançaram o máximo apogeu entre 1471 e 1493, mas a morte do grande chefe, e a posterior divisão do poder entre Huáscar e Atahualpa, filhos do desaparecido, os levou a uma guerra civil que provocou o enfraquecimento do império justamente quando o espanhol Francisco Pizarro chegava à região. Ajudados por essa luta fratricida, os invasores dominaram facilmente todo o território, saquearam e destruíram palácios e cidades, escravizaram a população, e impuseram um clima de tamanho terror que isso acarretou o desaparecimento paulatino da cultura local. Tudo indica que a partir de 1532, quando Pizarro chegou com seus homens às montanhas que protegiam Machu Picchu, a povoação já se encontrava desabitada, transformada em cidade-fantasma, não só porque os seus moradores a haviam abandonado apressadamente ante a perigosa ameaça que a aproximação dos espanhóis representava para eles, mas também em virtude da mortalidade elevada que um surto de varíola havia provocado por volta de 1527, dizimando em torno de 50% da população.

 

A partir daí e durante séculos, Machu Picchu permaneceu esquecida, até que em 24 de julho de 1911, quando o explorador norte-americano Hiram Bingham (1875-1956), à frente de uma expedição da Universidade de Yale, a redescobriu e a reapresentou ao mundo, a atenção internacional se voltou para ela. Na realidade, Bingham estava à procura de Vilcabamba, legendária cidade que entre 1536 e 1572 resistira tenazmente aos invasores, mas ao subir o curso do rio Urubamba e penetrar na desolada região de Mandorbamba, recebeu de um camponês local a informação de que encontraria muitas ruínas no alto do morro cujo nome se tornaria, posteriormente, mundialmente famoso. O explorador acreditou no que ouvira, subiu a íngreme ladeira que lhe fora indicada, e quando atingiu o seu ponto mais alto, ficou abismado com o cenário que aparecia à sua frente. Tão abismado que escreveu em seu diário: “Acreditará alguém no que encontrei?”.

 

O local estava, evidentemente, coberto por espessa vegetação nativa e infestado de serpentes, mas mesmo assim podiam ser vistas imponentes construções arqueológicas, todas elas mostrando o estado de completo abandono em que haviam permanecido por muitos séculos. Nesta excursão Bingham inspecionou o quanto pode as ruínas que descobrira, fazendo o mesmo posteriormente, em 1912. Depois dele, em 1914 e 1915, diversos exploradores visitaram Machu Picchu, homens que efetuaram escavações de toda ordem, sem o menor critério científico, e recolheram, ao que consta, cerca de 550 vasos cerâmicos, aproximadamente, mais de duas centenas de diversos objetos feitos de bronze, cobre, prata e pedra, tais como braceletes, brincos, e prendedores, além de facas e machados.

 

Diversas teorias procuram explicar a existência de Machu Picchu, povoação que abrigava, provavelmente, uma população de no máximo 750 indivíduos, em qualquer época. Uma delas sugere que se tratava do mausoléu de Pachacútec; outra, que sua finalidade era a de proteger a aristocracia inca em caso de ataques inimigos; uma terceira, que a localidade representava um refúgio campestre para a nobreza daquele povo; ou então, que o lugar, por sua situação geográfica, poderia ter sido utilizado como observatório astronômico, ou cenário de rituais ligados à predição do futuro através da observação dos astros. 

 

De verdadeiro, o que se sabe é que Machu Picchu contava com uma vasta área agrícola formada por terraços destinados principalmente à cultura de milho, alimento básico daquele povo, além de recintos destinados ao seu armazenamento; e a zona urbana, propriamente dita, na qual se destacava a área religiosa que incluía templos, praças e mausoléus reais. Sobre ela, já se escreveu que “a disposição dos prédios, a excelência do trabalho, e o grande número de terraços para agricultura, são impressionantes. No meio das montanhas, os templos, casas e cemitérios estão distribuídos de maneira organizada, abrindo ruas e aproveitando o espaço com escadarias. Segundo a história, tudo planejado para a passagem do deus Sol”.

 

Sobre esse pormenor religioso descobriu-se que no trecho mais alto do assentamento localiza-se até hoje o “poste onde se amarra o sol”, ou intihuatana, em quíchua (ilustração acima), relógio solar que assinala com exatidão importantes eventos astronômicos. Acredita-se que quando se aproximava o solstício de inverno (tempo em que o sol se afasta o máximo do equador), os sacerdotes celebravam cerimônias para ”amarrá-lo à pedra”, com a finalidade de evitar, assim, que ele desaparecesse por completo.

 

Hoje, da “cidade perdida dos incas” apenas 30% é de construção original, pois o restante veio sendo reconstruído ao longo dos anos. De qualquer forma, porém, Machu Picchu, eleita uma das sete maravilhas do mundo moderno, antes disso foi elevada à categoria de patrimônio mundial da UNESCO, e o fato de ser um dos pontos mais visitados do Peru, recebendo turistas do mundo inteiro, tem trazido às autoridades certa preocupação quanto à conservação e preservação do monumento.