ACRÓPOLE DE ATENAS (Grécia)

Acrópole é o nome que arqueólogos e historiadores dão aos centros das cidades antigas. Construídas nas partes mais altas da região onde se situavam, e geralmente cercadas de muralhas, elas assim proporcionavam aos seus defensores maiores e melhores condições de resistência aos inimigos que porventura pretendessem atacá-las. Com o tempo, porém, elas foram perdendo essa condição de fortaleza, passando a servir como sedes administrativas civis ou religiosas. 

 

Apesar de não ser a única, a acrópole de Atenas, certamente a mais famosa de todas, se ergue no topo de uma colina rochosa conhecida como “rochedo sagrado”, com pouco mais de 100 metros de altura, no centro da capital grega, e abriga algumas das mais famosas edificações do mundo antigo, como o Partenon, o Propileu, o Erecteion e o Templo de Atena Nike.

 

Fundada há mais de três milênios, Atenas viveu momentos de grande esplendor. Mas foi entre os anos 500 e 400 a.C., período em que seus governantes dedicaram maior e melhor atenção ao desenvolvimento artístico e cultural da população, que surgiu uma civilização de forte brilho intelectual, da qual faziam parte os maiores escritores, pensadores e escultores gregos da época. Apesar disso, a democracia ateniense privilegiava apenas seus cidadãos (homens livres, nascidos em Atenas e maiores de idade) com o direito de participar ativamente da Assembléia e também de fazer a magistratura. No caso dos estrangeiros, estes, além de não terem os mesmos direitos, eram obrigados ao pagamento de impostos e prestação de serviços militares. 

 

Péricles foi um dos seus principais líderes. Eleito várias vezes para administrar a cidade, ele assumiu nessas oportunidades as chefias civil e militar, fazendo com que Atenas alcançasse entre 460 e 430 a.C., a maior projeção política, econômica e cultural em toda a sua história. Foi Péricles o responsável pela implantação dos projetos de algumas das estruturas sobreviventes da acrópole, que incluem, entre outras:

 

- o Partenon, obra máxima da arquitetura grega e templo oficial da deusa Atena, considerada protetora da cidade e guardiã da hegemonia ateniense, tem sua estrutura presente como sucessora de uma ou duas outras que não foram concluídas. Iniciada no governo de Péricles, em 447 a.C., a construção do edifício definitivo foi acompanhada pelos arquitetos Ictino e Calicrates, além de Fídias, encarregado das esculturas, como supervisor geral das obras. Infelizmente, os grandes estragos que sofreu ao longo da passagem dos anos prejudicaram enormemente o visual da construção, que hoje mostra colunas parcialmente reconstituídas (oito em cada extremidade e dezessete nas laterais), além das ruínas de sua parte central, primitivamente dividida em duas câmaras: na ocidental situava-se a Sala das Virgens, ou Partenon, propriamente dito, nome que acabou por estender-se a todo o edifício; e na oriental, cerca de três alas, a maior delas guardando a grande estátua de Atena, obra do escultor Fídias e trabalhada em ouro e marfim. Acredita-se que representava a deusa de pé, com escudo e capacete, tendo na mão esquerda a sua lança, na direita, estendida, uma Vitória alada e, aos pés, outro escudo e uma serpente. Os olhos eram duas enormes safiras. O próprio Fídias se fez representar no escudo, o que lhe valeu, mais tarde, uma condenação ao banimento, por crime de sacrilégio. Na construção não se empregou qualquer espécie de cimento, nem argamassa, sendo os blocos de pedra ajustados entre si com o maior cuidado e ligados por meio de cavilhas metálicas.

 

- o Erectéion, construído por Erecteu, filho da Terra, rei mítico de Atenas, em honra de Atena, e dos deuses Posseidon e Zeus, e onde se guardava, além da mais antiga estátua da deusa, que se acreditava ter caído do céu, a oliveira sagrada criada por ela como um presente para a cidade. Uma das maravilhas da arquitetura grega, o também chamado Templo de Erecteu foi reconstruído após a Guerra do Peloponeso (431 a 404 a.C.), e nele o pórtico das cariátides (ilustração acima), colunas com a forma de estátuas de mulheres que suportavam na cabeça todo o peso do entablamento e da cobertura dessa área, é uma das partes mais características do prédio.

 

- o Propileus, entrada monumental aberta e rodeada de colunas, teve grande importância na arquitetura grega. Existia nos templos, sendo mais ou menos suntuoso segundo a importância do santuário. Os mais famosos são os da Acrópole, obra de Menésicles, sendo cada um constituído essencialmente de um muro com cinco portas, havendo exteriormente uma série de colunas dóricas (a mais rústica das três ordens arquitetônicas gregas) em disposição simétrica.

 

- O Templo de Atena Niqué, com obras iniciadas por volta de 432 a.C., mas terminadas entre 421 e 415 a.C., época em que Nicias, general e político ateniense que havia sucedido Péricles. No centro do mesmo havia uma estátua da deusa; descrita como sendo de madeira, segurando um escudo na mão esquerda e uma romã, fruta que simbolizava a fertilidade, na mão direita. Atena Niké era originalmente a deusa alada da vitória, mas a representada na escultura do templo não possuía asas, para que nunca pudesse sair da cidade.

 

Em 1458 os turcos conquistaram Atenas, dominando-a até 1833, quando a cidade se tornou capital da Grécia independente. Antes disso, em 1806, Thomaz Bruce, lorde Elgin, embaixador britânico junto ao império otomano, conseguiu autorização para retirar algumas peças de arte dos monumentos e levá-las para o seu país. E foi o que ele fez, recolhendo centenas delas e levando-as para o seu país, onde até hoje se encontram expostas no Museu Britânico. O retorno dessas peças é um antigo ponto de discórdia entre os dois países, com a Grécia chamando de pilhagem o que os britânicos defendem como posse legal.

 

Desde 1987 a Acrópole de Atenas é classificada pela UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade e suas ruínas continuam atraindo centenas de milhares de turistas em busca de uma visão dos tempos antigos. Recentemente foi inaugurado o novo Museu da Acrópole, que espera receber anualmente cerca de 2,5 milhões de visitantes.