ABOMINÁVEL HOMEM DAS NEVES, O

O Himalaia é um sistema montanhoso da Ásia que se estende ao longo da fronteira entre o norte da Índia e o Tibete, cobrindo a maior parte do reino do Nepal. Possui os mais altos picos da Terra, entre eles o Everest, seu ponto culminante, com altura de 8.882m. É nessa região que ocorre a lenda do Abominável Homem das Neves, ou Yeti, um dos grandes mistérios ainda não resolvidos no planeta.

 

A expressão Abominável Homem das Neves surgiu em 1921, quando o jornalista que acompanhava a primeira expedição inglesa organizada para explorar a região do Everest, tomou conhecimento de que 6 alpinistas e 26 carregadores nepaleses haviam descoberto pegadas atribuídas por eles a um Yeti, porque não as tinham reconhecido como sendo de algum urso, cabra ou leopardo da neve que por ali passara. Yeti é o nome ocidental de uma criatura chamada pelos tibetanos de yeh-teh, ou aquela coisa, que supostamente vive naquela cadeia de montanhas, e que teria parentesco, segundo alguns, com o Bigfoot (Pé Grande), outro ser misterioso que habitaria as regiões remotas e selvagens dos Estados Unidos e Canadá. A crença asiática assevera que o Yeti, ou Abominável Homem das Neves, seria descendente de um rei macaco que se casou com uma ogra (raça de gigantes que segundo a lenda de vários povos europeus, se alimentava de carne humana).

 

Informações sobre essa estranha criatura vêm da antiguidade, e apesar de serem resumidas e pouco esclarecedoras, ainda assim servem para alguns insinuarem que Alexandre Magno, o Grande, rei da Macedônia, teria sido informado sobre ela em 326 antes de Cristo. Outro registro é de 1832, ano em que o primeiro inglês a morar no Nepal declarou ter ouvido comentários sobre uma criatura que se movia ereta e era coberta por um longo cabelo escuro. Décadas depois, em 1889, o major britânico L.A. Waddell, foi um dos primeiros a encontrar em um pico situado em Sikkim, norte indiano, as marcas da passagem de um Yetti, o que foi registrado em suas memórias, escritas dez anos depois, da seguinte forma: “As pegadas pertenciam, segundo a crença local, a um homem selvagem e peludo que vivia na neve. Entre os tibetanos, ninguém duvida de sua existência”.

 

Passado um século (1921), outra expedição britânica avançava sobre a face norte do Everest. Ao alcançarem os 5.000m, seus integrantes perceberam que acima deles algumas silhuetas se movimentavam na neve, mas quando chegaram àquele ponto, as criaturas já tinham desaparecido, deixando pegadas enormes. Ao retornarem à base, Charles Kenneth Howard Bury comunicou o fato aos jornalistas, declarando que seus carregadores nepaleses haviam chamado as criaturas de metoh-kangmi, nome genérico dado a elas pelos habitantes da região. Quatro anos depois, também nas montanhas de Sikkim, o fotógrafo grego N.A. Tombazi estava a 4.500m de altitude quando seus carregadores se assustaram e começaram a murmurar apontando para uma criatura que se encontrava 250m adiante, e que segundo sua descrição, era “igualzinho a um ser humano, andando ereto e parando de vez vem em quando para arrancar ou tirar alguma coisa do meio da neve”. A criatura desapareceu logo em seguida, mas suas pegadas mediam 15cm de comprimento por 10cm de largura.

 

Durante a década de 50, diversas expedições subiram a montanha. Em 1951, uma delas se encontrava no Everest, a 5.500m de altura, quando seus integrantes depararam com rastros frescos de um Yeti. Estes foram seguidos por mais de um quilômetro, até os perseguidores desistirem da perseguição porque se encontravam exaustos, mas posteriormente Eric Shipton, que os havia fotografado, declarou ao jornal londrino Times que “grande parte dos rastros apresentava forma oval, um pouco mais compridos e bem mais largos que as pegadas deixadas por nossas grandes botas de alpinismo, mas em certas partes onde a neve era mais fina, encontramos impressões bem preservadas do pé da criatura, e elas mostravam três dedos grandes e um polegar de lado, medindo a marca mais nítida cerca de 33 x 20 centímetros”.

 

Em 1953, John Hunt, um dos alpinistas conquistadores do Everest naquele ano, dedicou ao Yeti uma página de seu livro The Ascent of Everest, onde relatou que três semanas antes do inicio das investidas sobre a montanha, ele visitou o monastério de Thyangboche em companhia de Charles Wylle e Tenzing. Lá, histórias lhe foram contadas, e uma delas dizia que a criatura movimentava-se ora em duas, ora em quatro patas, tinha 1,60m de altura e pelagem cinza, o que confirmava as descrições anteriores. Logo depois, em 1954, o jornal londrino Daily Mail financiou nova expedição e entregou sua chefia ao repórter Ralph Izzard, mas o que de importante aconteceu nessa aventura foi apenas o encontro de mais algumas pegadas de Yeti, além da descoberta de um escalpo, supostamente dessa criatura, em poder de um sacerdote tibetano.

 

Em 1960, sir Edmundo Hillary arriscou-se montanha acima, encontrando, também, pegadas do misterioso animal, o que voltou a acontecer em 1969, com um alpinista não identificado. Porém, em março de 1886, Anthony B. Wooldridge encontrava-se no Himalaia, norte da Índia e próximo à fronteira com o Nepal. Ele havia alcançado os 3.000m de altitude quando encontrou pegadas de 25cm na neve, e 600m acima, ao interromper sua marcha em virtude de uma avalanche, avistou uma criatura ereta e imóvel atrás de um arbusto. Sua altura era de 1,80m, aproximadamente, “a cabeça grande e quadrada, e o corpo todo coberto de pelo escuro”. Wooldrige aproximou-se o quanto pode, fotografou-a com sua Nikon e ficou a observá-la durante 45 minutos, mas foi obrigado a descer a montanha em virtude do tempo estar se fechando. As fotos foram analisadas por especialistas e reconhecidas como autênticas.

 

No ano 2.000, o alpinista Reinhold Messner, primeiro alpinista a escalar o Everest sozinho e sem oxigênio suplementar, lançou o livro My quest for the Yeti, relatando o trabalho de pesquisa que realizara durante toda a década de 90, em busca de informações sobre a criatura. Apesar de muito bem escrito, o trabalho é superficial quanto ao tema do Yeti.

 

Enfim, ninguém sabe ao certo o que é o Yeti, ou se ele realmente existe. Mas caso exista, deve ser suficientemente inteligente para continuar mantendo o seu próprio mistério. Caso contrário alguém certamente tentará capturá-lo.