Diz a lenda que os argonautas foram 52 heróis gregos que embarcaram no navio Argo para conquistar na Cólquida (extremidade oriental do mar Negro, correspondente à atual Geórgia), o Tosão de Ouro, também denominado Velo e Velocino. O nome do navio lembrava a sua velocidade - pois argo significa ágil, veloz, de onde vem arguto - mas a versão mais aceita é a de que ele homenageava Argos, filho de Frixo, o construtor que fizera o seu projeto. Entre os aventureiros figuravam Jasão (que ia como chefe); Hércules; Castor e Pólux; Orfeu; Meleagro; Tifis, da Beócia, piloto da nave; Anceu, filho de Netuno; Telamão; Iolas, primo de Hércules; Eurito, famoso centauro; Linceu, o de olhar penetrante; Équion ou Etálides, filho de Mercúrio, que serviu de arauto e espião; Ergino e Eufeu, filhos de Netuno, que também exerceram a função de piloto; Laertes, pai de Ulisses; Mopso, célebre adivinho; o poeta Orfeu; Admeto, rei da Tessália; Menécio, pai de Pátroclo; Peleu e outros menos famosos, e sua missão era recuperar o Tosão que havia sido roubado da Tessália, por Frixo e Hero.
Uma geração antes da guerra de Tróia os argonautas partiram para Iolcos, na Tessália, embarcaram no cabo de Magnésia, atravessaram o mar Egeu, tocaram nas ilhas de Lemnos, ao largo da Turquia asiática, então habitada por uma colônia de mulheres, passaram à Samotrácia, aventuraram-se pelo estreito de Helesponto (atual Dardanelos), costearam a Ásia Menor e desembocaram no ponto Euxino pelo estreito dos Simplégades (os rochedos que se chocam). Essas ilhas, ou antes, esses escolhos, situados à entrada do Ponto Euxino, não deixam entre si senão um espaço de duzentos metros, e à vista dele os argonautas só tentaram seguir adiante depois de efetuarem sacrifícios a Juno e a Netuno, pois esses terríveis escolhos eram móveis e se aproximavam uns dos outros, estraçalhando que tentavam ultrapassá-los. Segundo indicações de Fineu, os viajantes então soltaram uma pomba branca, e esta, ao passar pelos rochedos, teve parte de sua cauda decepada. Os nautas interpretaram que o sinal era positivo e iniciaram a travessia, tendo apenas a popa do Argos, assim como a cauda da ave, sofrido pequenas avarias. Depois disso Netuno impediu que os rochedos voltassem a se chocar e os fixou para sempre.
Continuando a viagem, os argonautas seguiram pela costa da Ásia até Ea, capital da Cólquida, onde cumpriram seu objetivo. Então, já tendo se apossado do Tosão de Ouro, o que conseguiram com o auxílio de Medeia, eles partiram de volta para a Grécia com Eedes, rei da Cólquida, a perseguí-los, atravessaram o Ponto Euxino, entraram no Adriático por um braço do Danúbio e chegaram ao mar de Sardenha, pelo Erídano e o Ródano. Tétis e suas ninfas dirigiram o navio grego através do estreito de Caribdes e Cila, e quando passaram à vista da ilha habitada pelas sereias, Orfeu venceu-as com a sua música e os salvou do sortilégio. Seguindo o Destino, em conseqüência disso, as sereias teriam desaparecido e jamais incomodado quem quer que fosse. Na mitologia grega, o Destino é freqüentemente personificado: torna-se um deus supremo ao qual todos os seres e coisas estão submetidos. Este deus supremo ora é distinto de Zeus, ora é confundido com ele, mas no maior número de casos, o próprio Zeus e todos os outros deuses são representados como submetidos ao Destino.
Na Feácia, atual Corfú, encontraram a frota da Cólquida que tinha ido obrigar Alcino a entregar Medeia, tendo o rei dos feacianos consentido desde que ela ainda não estivesse unida a Jasão, o que determinou o casamento entre ambos. Novamente os argonautas reiniciaram sua jornada e foram atirados sobre os recifes do Egito, donde, salvos pela proteção dos deuses tutelares do país, carregaram o navio nos ombros até as margens do lago de Triton, na Líbia. De novo começaram a navegar, mas a viagem foi interrompida pelo monstro Talos, um gigante de bronze que desolava Creta. Esse gigante invulnerável, exceto um pouco acima do tornozelo, apôs-se ao desembarque dos heróis, lançando grandes pedras contra o navio. Medeia, com a sua magia, fez com que o gigante rompesse uma veia, situada no ponto vulnerável, enquanto este se preocupava em obter novas pedras, o que lhe causou a morte.
Finalmente os argonautas desembarcaram em Egina e chegaram à Tessália, Jasão consagrou o Argos a Netuno, ou segundo outra versão, a Minerva, no istmo de Corinto, de onde, após a morte desse herói, foi transportado ao céu, para tornar-se uma das mais belas constelações.